Republicanos anti-Trump vão votar em Hillary Clinton em novembro

Washington, 3 Ago 2016 (AFP) - Entre os republicanos, o tabu do voto em favor da democrata Hillary Clinton na eleição presidencial americana se quebrou, com várias personalidades da direita rejeitando publicamente Donald Trump, mergulhado em uma das mais severas polêmicas de sua campanha.

Muitas vezes, a frágil trégua entre Donald Trump e os tenores do seu partido chegou à beira do abismo desde sua vitória nas primárias em maio. Mas, manteve-se, a duras penas, apesar das dissensões da convenção de investidura em Cleveland há duas semanas.

Até à data, a maioria dos líderes republicanos do Congresso, e do partido, diziam que apoiariam Donald Trump ou que não votariam nem no bilionário nem em Hillary Clinton.

Mas o comportamento do candidato em resposta às críticas do pai de um soldado americano muçulmano morto em ação em 2004 levou muitos republicanos a romper com ele, revelando a crescente inquietação dentro do movimento conservador vis-à-vis a seu porta-bandeira oficial.

"Trump se comporta como se ainda estivesse nas primárias, quando havia 17 candidatos", lamentou seu aliado Newt Gingrich à rede Fox Business. "É necessário que faça a transição e se converta em um potencial presidente dos Estados Unidos, o que é um nível muito mais difícil".

O risco para o Partido Republicano é parecer dispersado nas eleições presidencial e legislativa de 8 de novembro, enquanto Hillary Clinton tem o apoio incondicional de toda a máquina democrática e do presidente em final de mandato, Barack Obama.

A preocupação dos republicanos diz respeito à opção de Donald Trump por uma escalada verbal para responder a Khizr Khan, um americano naturalizado de origem paquistanesa cujo filho Humayun, capitão do Exército, foi morto no Iraque em 2004.

Khan denunciou na quinta-feira passada no palanque da convenção democrata as palavras anti-muçulmanas de Donald Trump.

Em resposta, Donald Trump considerou que tinha sido injustamente atacado, insinuou que a esposa de Khan tinha permanecido em silêncio no palanque porque ela não tinha o direito de falar como uma mulher muçulmana e afirmou que ele próprio tinha feito muitos sacrifícios em sua vida.

O líder do Partido Republicano, Reince Priebus, está, segundo o canal ABC, furioso como esta nova polêmica, ao passo que na semana passada a campanha do bilionário já havia sido dominada pelo pedido, supostamente "sarcástico", de Donald Trump à Rússia para recuperar algumas mensagens privadas apagadas de Hillary Clinton.

De acordo com a NBC, um grupo de peso dos republicanos, incluindo o ex-prefeito de Nova York Rudy Giuliani, pretende pressionar diretamente Donald Trump para que entre na linha.

DeserçõesAs deserções aceleraram após o fim das primárias, em junho: Brent Scowcroft, ex-conselheiro de segurança nacional do presidente George H. W. Bush; Richard Armitage, ex-vice-secretário de Estado do presidente Bush filho; Hank Paulson, ex-secretário do Tesouro do mesmo presidente; e vários ex-deputados anunciaram que votariam em Hillary Clinton.

Na convenção democrata, até mesmo alguns republicanos tomaram a palavra, entre eles Michael Bloomberg, ex-republicano que virou independente quando prefeito de Nova York.

Hillary Clinton, que prometeu em seu discurso de investidura na Filadélfia de ser "a presidente dos democratas, republicanos, independentes", tenta ativamente atrair republicanas para o seu lado.

A chefe da Hewlett Packard Enterprise, Meg Whitman, uma influente republicana da Califórnia, declarou em uma entrevista publicada nesta quarta-feira que Hillary Clinton havia telefonado a ela pessoalmente.

Ela vai votará na candidata e mobilizará as redes, inclusive financeiras, para vencer o "demagogo desonesto" que é Donald Trump, segundo ela.

O congressista republicano de Nova York Richard Hanna se tornou na terça-feira o primeiro representante republicano no Congresso a anunciar que irá votar em Hillary Clinton em novembro. Ele denunciou a hipocrisia de seus colegas que criticam as declarações de Donald Trump sem, contudo, rejeitá-lo completamente.

"Eu considero que não é o suficiente denunciar suas palavras: ele não é capaz de representar o nosso partido e não pode liderar o nosso país", escreveu Richard Hanna.

O senador John McCain, que denunciou fortemente Donald Trump, recusa-se, por exemplo, a retirar o seu apoio.

Confrontado a estes ataques, Donald Trump segue em diante. Longe de representar o papel dos homens de Estado magnânimos, ele prometeu retaliação.

Em uma entrevista ao Washington Post, prometeu financiar no futuro um comitê político para lutar contra os candidatos, democratas como republicanos. Incluindo Ted Cruz, seu ex-rival nas primárias que continua a enfrentá-lo? "Talvez", respondeu Donald Trump.

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