Kerry chega à Argentina para aprofundar relações bilaterais

Buenos Aires, 4 Ago 2016 (AFP) - O secretário de Estado americano, John Kerry, faz nesta quinta-feira uma visita de 24 horas à Argentina, com o objetivo de levar o diálogo entre Washington e Buenos Aires ao mais "alto nível" com o governo de Mauricio Macri, após anos de embates diplomáticos.

"O governo de Macri está no caminho certo", disse Kerry nesta quinta-feira, em um discurso para 200 empresários da Câmara de Comércio dos Estados Unidos na Argentina (Amcham) em um hotel de Buenos Aires.

Kerry visita Buenos Aires quatro meses após a viagem à Argentina do presidente Barack Obama e de sua família. Naquela ocasião, Obama e o presidente Mauricio Macri demonstraram sintonia mútua.

"Venho com o mesmo otimismo de Obama e estamos muito entusiasmados com as possibilidades da Argentina", enfatizou Kerry.

Mais tarde, Kerry foi recebido pela chanceler argentina, Susana Malcorra, e depois pelo presidente Macri "para discutir assuntos de cooperação regionais e globais", indicou o Departamento de Estado através de um comunicado.

"A Argentina é país extraordinário com enormes recursos, com as reformas em andamento, as previsões econômicas mudaram, haverá mais investimentos, haverá maior crescimento", disse Kerry em coletiva de imprensa com a chanceler argentina.

Kerry garantiu que a cooperação entre ambos os países "se intensificará nos próximos meses".

"Macri tomou decisões importantes e corajosas. Os Estados Unidos apoiam firmemente os esforços da Argentina para aumentar sua participação na economia mundial", afirmou.

Em Buenos Aires, o ministro da Economia argentino, Alfonso Prat-Gay, reconheceu na quinta-feira a correspondentes estrangeiros que "há uma sintonia bastante especial com a administração Obama".

Antes de partir para o Brasil na sexta-feira, para assistir à abertura dos Jogos Olímpicos, Kerry prevê ajustar acordos pela luta contra o terrorismo e o narcotráfico com a chanceler Malcorra, segundo fontes diplomáticas em Buenos Aires.

Confiança na mudançaSete meses depois de ter assumido a Presidência, Macri pôs fim - com um pagamento milionário - o longo conflito pela dívida com os fundos especulativos dos Estados Unidos.

Do protecionismo à indústria nacional e subsídios sociais do projeto peronista de centro-esquerda dos Kirchner, a Argentina deu uma guinada ao livre mercado.

"Para nós, essa viagem é sinal de confiança na mudança que propusemos no governo em relação à administração anterior e à boa vontade para trabalhar conjuntamente em diversos assuntos", disse à AFP uma fonte da chancelaria argentina.

"Washington tenta correr para concretizar acordos comerciais, de temas energéticos, mudanças climáticas e segurança, "aproveitando os últimos meses da administração do presidente Obama", disse à AFP Harold Trinkunas, diretor da Iniciativa para América Latina do Brookings Institute.

O cargo de Obama é disputado entre a democrata Hillary Clinton e o republicano Donald Trump. O resultado será conhecido em novembro.

Uma preocupação do governo americano é que em caso de vitória de Trump se percam "todos os avanços" na promoção do livre comércio, opinou o analista.

"Os Estados Unidos gostariam de avançar em tudo", apontou Trinkunas. Mas considerados os laços com uma região sempre desconfiada de Washington e de seus vínculos com a Europa e a China, "é a Argentina que tem que pensar até que ponto e quanto quer avançar no mesmo ritmo", disse.

Preocupação com a VenezuelaKerry afirmou ainda nesta quinta-feira que os Estados Unidos defendem o estabelecimento de um diálogo produtivo na Venezuela que contribua para a superação da crise política no país.

"Estamos muito preocupados com Venezuela, pelo pouco desejo de estabelecer um diálogo robusto e produtivo e ouvir o pedido de seu povo. Pedimos que não atrasem o processo revocatório", disse Kerry.

"Queremos um diálogo, falamos muito tempo com Malcorra sobre esse assunto, queremos melhorar a situação. Os dois países estão comprometidos em facilitar a restauração da democracia e dos direitos da população", garantiu o secretário de Estado.

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