Polícia descarta caráter extremista de ataque com faca em Londres

Londres, 4 Ago 2016 (AFP) - A polícia britânica parece ter descartado nesta quinta-feira a pista terrorista de um ataque com faca ocorrido na quarta-feira no centro de Londres, onde uma americana foi morta, em um contexto de tensão pelos recentes atentados extremistas na Europa.

"Até agora não foram encontradas provas de radicalização ou nada que sugira que o homem que temos sob custódia estivesse motivado pelo terrorismo", afirmou o chefe adjunto da Scotland Yard, Mark Rowley.

O jovem homem de 19 anos, um norueguês de origem somali que foi preso pouco depois do ataque cometido na Russell Square e que também fez cinco feridos, agiu de "maneira espontânea" e "aleatória", acrescentou.

"Todo o trabalho que fizemos até agora mostra que este trágico incidente foi provocado por distúrbios mentais", ressaltou o oficial.

Esta constatação foi feita após o interrogatório do suspeito e de sua família, bem como das investigações, acrescentou.

Durante a noite, o eventual caráter terrorista do ataque havia sido mencionado, depois de vários ataques na França e na Alemanha nas últimas três semanas.

"Este ataque vai provocar ansiedade", admitiu Rowley, salientando que, como precaução, as patrulhas policiais nas ruas de Londres foram aumentadas nesta quinta-feira.

'Corpo sob um lençol'Primeiro conduzido ao hospital, o suspeito, neutralizado com a ajuda de um taser, uma pistola de descarga elétrica, por volta das 22h40 (18h40 de Brasília), foi colocado sob custódia no sul de Londres nesta quinta-feira manhã.

Além da mulher sexagenária de nacionalidade norte-americana que foi morta, o agressor feriu três homens e duas mulheres.

Dois dos feridos seguiam internados nesta quinta de manhã, mas a natureza e gravidade de seus ferimentos não foram especificados.

"Os feridos são de nacionalidade australiana, americana, israelense e britânica", informou Rowley.

Uma porta-voz da polícia norueguesa disse à AFP que o suposto autor do ataque estava registrado "como tendo deixado a Noruega desde 2002".

"Estava comprando uma cerveja quando ouvi uma mulher gritar sendo perseguida por um homem. Pensei que era um assalto, ela não estava ferida", contou à AFP Xavery Richert, um turista francês de 22 anos hospedado em um albergue da juventude na praça.

"Voltei a sair para fumar, olhei e havia os bombeiros e a polícia. Depois vi o corpo embaixo de um lençol, só era possível ver os pés", acrescentou.

Constantine Somerville, um vizinho, explicou que "normalmente é uma zona segura, sobretudo à noite. Por que alguém atacaria um bairro assim?".

No último domingo o chefe da polícia de Londres, Bernard Hogan-Howe, havia advertido para a possibilidade de um ataque no Reino Unido.

"Como pessoa encarregada de evitar um ataque assim, sei que gostariam que tranquilizasse vocês. Mas temo não poder fazer isso completamente", declarou na ocasião, respondendo ao temor de atentados como os cometidos nos últimos meses em França e Alemanha.

Prefeito pede calmaDesde agosto de 2014, o nível de alerta no Reino Unido está no nível 'grave', o segundo mais alto, o que significa que um ataque é "altamente provável".

Para evitar novos atentados, a polícia de Londres havia anunciado na quarta-feira, antes do ataque, a mobilização de 600 policiais adicionais.

Em dezembro de 2015, um mês depois dos ataques de Paris, a polícia de Londres anunciou que iria armar seus agentes com armas curtas, semiautomáticas e pistolas elétricas taser.

O prefeito de Londres, Sadiq Khan, pediu nesta quinta-feira aos londrinos que permaneçam "tranquilos e alertas".

"Convoco os londrinos a permanecerem tranquilos e alertas. Por favor, avisem a polícia sobre qualquer ato suspeito", disse o prefeito de Londres em um comunicado.

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