Turquia emite mandato de prisão contra Fethullah Gülen

Istambul, 4 Ago 2016 (AFP) - Um tribunal de Istambul emitiu um mandado de prisão contra o clérigo exilado nos Estados Unidos Fethullah Gulen, acusado por Ancara de planejar o recente golpe de Estado fracassado, informou nesta quinta-feira a agência pró-governo Anatolia.

O mandado acusa o ex-imã, exilado desde 1999 na Pensilvânia, de "ordenar a tentativa de golpe de 15 de julho", que sacudiu o poder por algumas horas e matou 272 pessoas.

Esta medida abre caminho para um pedido formal de extradição do inimigo do presidente Recep Tayyip Erdogan a Washington.

Várias autoridades turcas já reclamaram a extradição do "terrorista" Gülen.

Até agora, Washington pede de Ancara evidências do envolvimento de Gülen na tentativa de derrubar o governo.

A Turquia indicou que já forneceu em duas ocasiões "dossiês" sobre o papel de Gülen no golpe.

O septuagenário, que no passado era um aliado próximo do presidente Erdogan, nega qualquer envolvimento.

A questão de sua extradição promete envenenar permanentemente as relações turco-americanas.

Em dezembro de 2014, a Turquia já havia emitido um mandado de prisão contra Fethullah por "criar e liderar uma organização armada terrorista". Na época, o presidente Erdogan rompeu com seu ex-aliado devido a um escândalo de corrupção envolvendo parentes do líder turco e seus ministros.

Nesta quinta, o sobrinho de Gülen, Muhammet Sait Gülen, foi colocado sob custódia em Ancara, segundo anunciou a CNN Turk. Ele havia sido detido em 23 de julho na cidade de Erzurum (leste).

Além disso, dois juízes do Tribunal Constitucional foram demitidos, segundo Anatolia. E como todos os dias desde o golpe, Erdogan condenou em termos muito fortes o "vírus" dos simpatizantes de Fethullah Gülen "que se espalhou por toda parte" e que a Turquia "é obrigada a limpar."

A caça implacável aos simpatizantes, reais ou supostos, de Gulen na Turquia atingiu todos os setores da sociedade, principalmente o exército, a educação, justiça e meios de comunicação.

Segundo os últimos dados fornecidos na quarta-feira pelo ministro do Interior, Efkan Ala, quase 26.000 pessoas foram colocadas sob custódia e 13.419 estavam em detenção preventiva.

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