Bombardeios americanos levantam moral de combatentes pró-governo líbios

Sirte, Líbia, 5 Ago 2016 (AFP) - Agachados atrás de um muro para se proteger dos franco-atiradores do grupo Estado Islâmico (EI), os combatentes pró-governamentais líbios estão mais animados desde os bombardeios americanos e acreditam que expulsarão os extremistas de Sirte (centro-norte).

Mohamad al-Ahjal, com chapéu de "cowboy" marrom e colete à prova de balas, é um deles.

"Está muito bem!", afirma a uma equipe da AFP sobre "a intervenção militar americana e os bombardeios (...) lançados contra posições delicadas do Daesh", acrônimo em árabe do EI.

"Esperamos uma intensificação dos bombardeios (dos Estados Unidos) nos próximos dias para poder avançar" em Sirte, uma cidade costeira situada 450 km a leste de Trípoli e conquistada pelo EI em junho de 2015.

As forças líbias partidárias do governo de união nacional (GNA) com sede em Trípoli lançaram no dia 12 de maio uma ofensiva para reconquistar Sirte. Entraram na cidade, mas os extremistas entrincheirados no centro opõem resistência com franco-atiradores, minas e carros-bomba.

No pátio de uma casa abandonada, a 250 metros da posição mais próxima aos extremistas, uma dezena de soldados da unidade das "Águias de Misrata" faz uma pausa antes de substituir seus companheiros no front.

Neste bairro residencial atualmente desértico, as marcas de tiros e o muro em ruínas de uma casa dão testemunho de seu dia a dia.

Perto dali, outro combatente, Khaled el-Ghoush, acredita que os ataques aéreos de "nossos amigos americanos subiram a moral" das tropas.

Ahmed está maravilhado por sua eficácia e precisão e isso o leva a pensar que "a vitória não demorará a chegar".

Vigilância a partir da praiaOs Estados Unidos realizaram na segunda-feira, pela primeira vez, ataques aéreos contra os extremistas de Sirte, a pedido do governo de união nacional.

"Pedimos apoio (aos Estados Unidos) para limitar as baixas", declarou o general Mohamad al-Ghasri, porta-voz das forças governamentais.

Estas tropas dispõem de aviões, mas ainda assim perderam mais de 300 homens desde o início da ofensiva. Além disso, não têm armas de precisão suficientes.

Combatem os extremistas com caminhonetes de artilharia e alguns tanques.

Em uma praia, no oeste de Sirte, os soldados ergueram um posto de controle sob um guarda-sol improvisado com um tapete amarrado a quatro paus.

Entre as caixas de atum vazias espalhadas pelo chão, dois jovens combatentes estão deitados no tapete: um vigia entre sacos de areia com binóculos verdes e o outro aponta com um fuzil para as posições próximas do EI.

A equipe da AFP não pôde chegar às posições avançadas do front.

"Seu sangue salva vidas"Na entrada oeste de Sirte, as forças governamentais instalaram um hospital de campanha para atender os feridos antes de levá-los a Misrata, a cidade a partir de onde dirigem a operação.

O hospital é composto por uma sala de operações e outra para as urgências com uma dezena de macas, cilindros de oxigênio e mesas com material cirúrgico.

O hospital utiliza sua página no Facebook para divulgar as fotografias e os nomes dos feridos e mortos. E também para as campanhas de sensibilização, que convocam os combatentes a utilizar capacetes e coletes à prova de balas para evitar lesões na cabeça e no tórax. Além disso, pede a doação de sangue, porque salva vidas.

Em Trípoli, a capital, vários cartazes convocam os líbios a dedicar sua jihad (esforço) e seu "zakat" (esmolas) a combater o terrorismo.

"Os ataques americanos aceleram a operação, mas serão os combatentes que conseguirão a vitória", declarou à AFP um membro da prefeitura de Sirte instalado temporariamente em Misrata, 200 km a leste de Trípoli.

"Os cadáveres dos extremistas do EI estão nas ruas, em meio ao lixo e às ruínas", acrescenta. "Estamos impacientes por voltar a Sirte para limpar a cidade".

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