Ex-vice-diretor da CIA diz que Trump é 'agente involuntário' de Putin

Washington, 5 Ago 2016 (AFP) - Um ex-vice-diretor da CIA apoiou enfaticamente nesta sexta-feira (5) Hillary Clinton na corrida pela presidência dos Estados Unidos e disse que Donald Trump é um "agente involuntário" do presidente russo, Vladimir Putin.

"Putin explora as fraquezas de Trump, fazendo elogios a ele", escreveu o ex-vice-diretor da CIA Michael Morell em uma coluna de opinião no jornal "The New York Times".

"Nos serviços de Inteligência, diríamos que Putin recrutou Trump como agente involuntário da Federação Russa", ironizou o veterano da Agência Central de Inteligência.

Na coluna, Morell explica as razões pelas quais votará em Hillary em 8 de novembro e critica fortemente o candidato republicano, afirmando que "não apenas não está qualificado para o cargo (de presidente dos Estados Unidos), como pode ser um risco para nossa Segurança Nacional".

Michael Morell passou 33 anos na CIA e dirigiu a agência interinamente em sua qualidade de vice-diretor.

Ele lembrou que Putin é um ex-agente de Inteligência especializado em descobrir falhas em seus alvos e metre nos meios para explorá-las.

"Putin explorou as fraquezas de Trump, enchendo-o de elogios. E este último reagiu como Putin havia previsto", disse.

Morell recordou que Trump classificou o presidente russo de grande líder, encorajou os serviços de Inteligência russos a espionarem sua rival democrata, a ex-secretária de Estado Hillary, e colocou em xeque os compromissos dos Estados Unidos com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em caso de agressão russa a um país báltico.

Também acusou Trump de ter "abalado a segurança dos Estados Unidos, ao ter pedido que a entrada de muçulmanos no país seja proibida". Segundo ele, isso reforça a propaganda terrorista, a qual afirma que a luta contra o terrorismo é, de fato, uma guerra contra o Islã.

Em contraste, Morell deu seu total apoio à ex-secretária de Estado do presidente Barack Obama.

"Tenho confiança nela. Saberá cumprir a tarefa mais importante de um presidente: garantir a segurança do país", escreveu.

Trump tem-se envolvido em inúmeras polêmicas durante sua campanha eleitoral.

A última delas ocorreu na quinta-feira, durante um comício, quando o candidato atacou os imigrantes, os quais, segundo ele, representam uma ameaça terrorista para o território americano.

"Centenas de refugiados, que vêm de territórios e dos países mais perigosos da terra, não? Temos de pôr fim a essa prática", disse em Portland, no Maine (nordeste do país).

"Deixamos entrar pessoas que vêm de países terroristas e que não deveriam ter esse direito, porque não podemos controlá-los", reiterou o candidato republicano.

"Não sabemos nada deles. Isso poderia ser o maior cavalo de Troia de todos os tempos", acrescentou.

Em seu discurso, Trump citou o caso de um estudante marroquino detido nos Estados Unidos por tentar cometer um atentado, assim como o de um refugiado do Uzbequistão perseguido por ter tentado treinar recrutas na fabricação de bombas.

"Estamos tratando com animais", denunciou.

Nesta sexta, em entrevista coletiva em Washington, Hillary voltou a ser questionada sobre seus e-mails privados e sobre suas declarações, depois que o FBI (a Polícia Federal americana) isentou a ex-secretária de Estado de responsabilidade no caso.

Na última segunda (1º), a democrata declarou à Fox News que o diretor do FBI, James Comey, disse que as "respostas dela são verdadeiras" sobre se ela teria enviado, ou recebido, material confidencial por seu e-mail particular.

O comentário foi considerado falso pelos "verificadores de fatos" de Washington e, hoje, Hillary, reconheceu que algumas de suas respostas não foram exatamente claras.

"Eu disse, durante a entrevista e em muitas outras ocasiões nos últimos meses, que o que eu falei ao FBI - o que ele disse que é verdadeiro - é consistente com o que eu disse publicamente", afirmou Hillary.

"Então, eu posso ter me desviado e, por isso, sabe, vou tentar esclarecer", reconheceu.

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