Ordem de detenção contra líder das Mães da Praça de Maio é suspensa na Argentina

Buenos Aires, 5 Ago 2016 (AFP) - A ordem de detenção contra a líder das Mães da Praça de Maio, Hebe de Bonafini, foi suspensa nesta sexta-feira (5) pelo juiz responsável pelo caso de suposto desvio de fundos públicos.

Bonafini era alvo de uma ordem de captura emitida na quinta-feira e válida para "qualquer momento e lugar" da Argentina.

Seu advogado, Juan Manuel Morente, pediu ao tribunal do juiz Marcelo Martínez de Giorgi que eximisse da prisão a ativista de 87 anos e, desta forma, suspendesse o mandado de captura emitido por rebeldia, ao faltar a uma audiência na quinta-feira, pela segunda vez.

Bonafini afirmou que seguirá com sua vida normal e, em um claro sinal de desafio à Justiça, partiu nesta sexta-feira para a cidade de Mar del Plata, 400 km ao sul, para participar de um congresso de comunicação.

Com dezenas de simpatizantes em frente à sede da organização humanitária Mães da Praça de Maio, Bonafini subiu sorrindo no veículo que a levou para a cidade turística, sem que sua situação jurídica fosse clara.

Procurado, o juiz não atendeu aos telefonemas da AFP.

Na parte da manhã, o juiz indicou que, enquanto circular "o mandado de captura, significa que pode ser detida a qualquer momento e em qualquer lugar".

"Há um mandado de captura e uma proibição de deixar o país", confirmou o magistrado.

Encarregado do caso, o juiz Marcelo Martínez de Giorgi ordenou a detenção da ativista na quinta-feira, considerando sua ausência injustificada. O objetivo também era interrogá-la para depois decidir se ficará presa, ou se permanecerá em liberdade, enquanto resolve sua situação judicial.

O juiz Martínez de Giorgi investiga supostas irregularidades no mecanismo de construção de moradias sociais do programa Sonhos Compartilhados das Mães da Praça de Maio, que contou com financiamento do Estado durante os governos de Néstor e Cristina Kirchner (2003/2015).

O programa, um gigantesco empreendimento que construía milhares de casas, escolas e centros médicos em bairros carentes, foi cortado em 2011, após um escândalo causado por denúncias de corrupção envolvendo o plano que chegou a administrar 170 milhões de dólares (US$ 53 milhões hoje, após a desvalorização).

"Podem nos prender, mas não podem prender o pensamento", disse Bonafini ontem a centenas de seguidores e a vários ex-ministros do gabinete da ex-presidente Cristina Kirchner (2007-2015), que se aproximaram para acompanhar este "símbolo" argentino, que divide a sociedade entre o amor e o ódio à sua figura.

O chefe de gabinete do presidente Mauricio Macri, Marcos Peña, considerou que condutas como as de Bonafini "têm a ver com o fim da sensação de impunidade".

Ele avaliou a negativa da militante como uma "reação de gente que tinha se acostumado a ficar acima da lei".

O Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel concordou em que "perante a lei somos todos iguais", mas considerou "um escândalo" o ocorrido na quinta-feira, defendendo que o juíz deveria ter colhido a declaração de Bonafini em sua residência.

A mulher, que perdeu os dois filhos - Raúl e Jorge -, além de sua nora, nas mãos dos militares durante a ditadura, reforçou que "sempre" sofreu "a mesma ignomínia, a mesma indiferença" por parte da Justiça e que, por isso, não se apresentará a nenhum tribunal.

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