Segunda rodada de votação para secretário-geral da ONU pode surpreender

Nações Unidas, Estados Unidos, 5 Ago 2016 (AFP) - A corrida para substituir o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, se acelerará nesta sexta-feira com a segunda rodada de votação, que pode trazer surpresas e terminar com as aspirações de alguns candidatos.

O ex-primeiro-ministro português Antonio Guterres assumiu a liderança no mês passado na primeira votação informal para eleger o novo chefe da ONU, seguido de perto pelo ex-presidente esloveno Danilo Turk.

No entanto, os diplomatas advertem que pode acontecer algo inesperado na corrida para suceder Ban, com 11 candidatos agora na disputa.

"Penso que será um processo que levará tempo", disse o embaixador russo, Vitaly Churkin. "Isso não vai ser resolver nesta sexta-feira".

Durante a reunião a portas fechadas, os 15 membros do Conselho de Segurança serão consultados sobre se "respaldam", "desencorajam" ou não têm "nenhuma opinião" sobre um candidato.

Guterres ficou no topo durante a primeira rodada, com 12 votos que "respaldam" e três que "não têm opinião", mas alguns diplomatas dizem que é incerto se ele poderá assegurar uma votação tão alta em uma segunda rodada.

Os resultados não são anunciados, mas o presidente do Conselho comunica aos candidatos o nível de apoio que tiveram.

Alguns candidatos dizem de forma privada que os resultados da segunda rodada de votações podem ser a chave da decisão desta disputa.

A ex-chanceler croata Vesna Pusic anunciou na quinta-feira que se retirava da corrida, depois de receber pouco apoio na primeira rodada.

Em uma carta, Pusic informou ter tomado a decisão de deixar a disputa "depois que na primeira rodada de votação do Conselho de Segurança da ONU ficou claro que a seleção não foi na minha direção".

Partidária das políticas europeias, da igualdade de gênero e porta-voz dos direitos da comunidade LGBT, Pusic teve 11 votos de "desencorajamento", dois que a "respaldavam" e dois que "não tinham opinião".

Um chefe da ONU da Europa do LesteOs membros do Conselho de Segurança têm diante de si o apelo para eleger a primeira mulher no cargo depois que oito homens o ocuparam, e ao mesmo tempo dar preferência a um candidato da Europa do Leste, a única região que até agora não foi representada no posto.

O embaixador russo disse que para seu país foi uma prioridade apoiar um postulante da Europa do Leste - de onde são provenientes sete dos 11 aspirantes ao cargo -, mas sabe que há "bons candidatos também de outras regiões".

Entre outros candidatos está a chefe da Unesco, a búlgara Irina Bokova, que ficou em terceiro lugar, e a ex-primeira-ministra da Nova Zelândia Helen Clark, que lidera o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e ficou em sexto na votação.

Há duas mulheres latino-americanas na corrida: a chanceler argentina Susana Malcorra, que foi chefe de gabinete de Ban, e a costarriquenha Christiana Figueres, ex-secretária-executiva da Convenção Marco da ONU sobre as Mudanças Climáticas.

O voto secreto se inclui em um novo processo, mais aberto e que pela primeira vez na história das Nações Unidas permitiu que os candidatos apareçam e sejam ouvidos para tentar alcançar o posto máximo antes da Assembleia Geral.

São esperadas mais rodadas de votação nas semanas seguintes antes que o Conselho de Segurança acorde a indicação, o que deve ocorrer em outubro.

O novo secretário das Nações Unidas começará sua gestão de cinco anos em 1º de janeiro.

A decisão final do Conselho, no qual seus cinco membros permanentes (Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e China) têm direito a veto e uma voz preponderante, deve ser ratificada pela Assembleia Geral da ONU.

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