Sudão do Sul aceita envio de força militar regional

Adis Abeba, 5 Ago 2016 (AFP) - O Sudão do Sul aceitou, nesta sexta-feira (5), o envio para seu território de uma força regional, depois dos recentes confrontos em Juba, os quais puseram em risco o frágil acordo de paz - afirmou o secretário-executivo da Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (Igad), Mahboub Maalim.

"O governo do Sudão do Sul aceitou", disse Maalim, depois de uma cúpula em Adis Abeba, acrescentando que as modalidades do envio, a amplitude do contingente e seu mandato ainda serão discutidos com Juba.

Depois que se chegar a um acordo sobre essa "força de proteção", que representará um reforço para os cerca de 12.000 boinas azuis já presentes no Sudão do Sul, será submetido ao Conselho de Segurança da ONU.

Essa missão pode servir para ajudar na implantação do acordo de paz de agosto de 2015, assim como a "proteção de civis e de assuntos humanitários", acrescentou Maalim.

Em inúmeras ocasiões desde os confrontos no início de julho entre suas tropas e as do ex-vice-presidente Riek Mashar, o presidente Salva Kiir vinha repetindo ser firmemente contra o envio de novo efetivo estrangeiro ao país.

Os combates entre as forças leais e os ex-rebeldes em Juba, de 8 a 11 de julho, deixaram ao menos 300 mortos e mais de 60.000 refugiados.

Na saída da cúpula, alguns diplomatas interpretaram o gesto de aparente boa-vontade do governo sul-sudanês como uma armação para ganhar tempo, sem resultados.

"Vejo a possibilidade de que essa força seja adiada indefinidamente", comentou um diplomata ocidental.

Em sua última cúpula, em meados de julho, a União Africana se pronunciou em favor do envio de uma "força regional de proteção" e com um mandato mais sólido do que a UNMiss, a Missão da ONU no Sudão do Sul. Etiópia, Quênia e Ruanda mostraram sua disposição de enviar tropas para essa força regional.

Riek Mashar fugiu de Juba durante os combates e, na sequência, o presidente Kiir anunciou ele seria substituído pelo ministro das Minas, Taban Deng, do governo de unidade nacional. Este último representava o governo sul-sudanês na cúpula de Adis Abeba.

Os recentes combates coincidiram com o quinto aniversário da independência do país, vítima desde 2013 de uma guerra civil que deixou milhares de mortos e de 2,5 milhões de deslocados. Segundo a ONU, seis milhões de sul-sudaneses, de uma população de 11 milhões, precisam de ajuda humanitária urgentemente.

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