Bélgica investiga ataque a policiais como ato de terrorismo

Em Bruxelas

  • Virginie Lefour/AFP

    Polícia monta guarda em Charleroi, na Bélgica, após homem ter atacado duas policiais

    Polícia monta guarda em Charleroi, na Bélgica, após homem ter atacado duas policiais

A justiça belga abriu uma investigação por tentativa de assassinato terrorista, um dia depois do ataque contra dois policiais por um homem armado com um machado, informou neste domingo (7) o primeiro-ministro Charles Michel.

"A procuradoria federal nos informou que uma investigação foi aberta por tentativa de assassinato terrorista (...), visto um certo número de elementos que apareceram de forma imediata", disse Michel aos jornalistas, em referência ao agressor que gritou "Allahu Akbar" (Deus é grande) antes de ser abatido.

Não foram dados detalhes sobre a identidade do agressor. "O autor ainda não foi identificado", afirmou Michel na noite de sábado. "Mas parece ser novamente um ataque com conotações terroristas", disse.

O homem atacou duas policiais na localidade de Charleroi e, segundo Twitter da polícia, as duas agentes se encontram fora de perigo.

Segundo a agência de notícias Belga, uma das policiais sofreu ferimentos profundos no rosto e foi hospitalizada, enquanto sua colega teve ferimentos leves.

O ataque aconteceu no fim da tarde de ontem em frente à delegacia. A polícia disse que o local ficará "inacessível durante a investigação".

O ministro belga do Interior, Jan Jambon, denunciou esse "ato vil em Charleroi" em sua conta no Twitter e afirmou que o nível de ameaça terrorista está sendo avaliado.

Esse ato acontece no momento em que o nível de alerta terrorista na Bélgica, cuja capital foi vítima de ataques coordenados no aeroporto e em uma estação de metrô em 22 de março passado, está no nível 3 sobre 4.

O ataque de março, no qual 32 pessoas morreram, foi reivindicado pelo grupo Estado Islâmico (EI).

Desde os atentados de Paris em 13 de novembro de 2015, que foram preparados na Bélgica e contaram com a participação de extremistas belgas, a polícia fez dezenas de batidas antiterroristas.

Em 30 de julho, dois indivíduos foram detidos em Valônia, na região de Mons (oeste) e de Liège (leste), suspeitos de estarem ligados a planos de atentados, segundo o Ministério Público belga.

A Justiça belga disse que essas detenções não estavam relacionadas aos atentados de 22 de março.

Em 25 de junho, a polícia prendeu dois homens durante operações antiterroristas em Verviers (leste) e em Tournai, perto da fronteira com a França. Ambos foram acusados de "participação em atividades de um grupo terrorista".

Segundo a imprensa belga, um desses suspeitos queria se detonar na Bélgica durante uma transmissão pública de um partido da Eurocopa de futebol 2016.

De acordo com o ministro belga do Interior, 457 homens e mulheres belgas foram, ou tentaram ir, combater na Síria, ou no Iraque. Entre essas pessoas, 266 continuam em um desses dois países, e 90 estão desaparecidas -- provavelmente mortas, segundo o Órgão belga de Coordenação para Análises de Ameaças (Ocam).

Do 11/09 a Bruxelas, por que terroristas agem com seus irmãos?

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