Constituição proposta pela junta militar tailandesa foi aprovada

Bangcoc, 7 Ago 2016 (AFP) - A polêmica Constituição submetida neste domingo a referendo na Tailândia pela junta militar no poder foi adotada por ampla maioria, segundo dados oficiais preliminares.

O "sim" à nova Carta Magna, que, segundo seus detratores, reforçará o poder dos militares, recebeu uma aprovação de 62%, depois de apurados 86% dos votos.

O texto votado prevê que o Senado seja designado, o que significaria que, inclusive em caso de eleições legislativas, prometidas para 2017, o Parlamento ficaria sob influência de uma câmara alta controlada pelos generais.

A Federação Internacional de Direitos Humanos (FIDH) denuncia uma "manipulação do processo de redação da Constituição" e uma "credibilidade zero" da votação.

Na Tailândia, humoristas e internautas criticam um referendo sobre o qual está proibido debater, sob pena de prisão.

As detenções e os chamados à ordem por distribuição de panfletos críticos se multiplicaram.

A polícia inclusive convocou vários opositores nesta semana em Bangcoc por terem se reunido e anunciado a criação de grupos de observadores para domingo.

A rede de televisão mais crítica à junta no poder, PeaceTV, foi fechada temporariamente.

Por sua vez, o regime não para de pressionar os eleitores parava que votassem. "Se unirmos nossos esforços para o referendo, teremos uma democracia estável", afirma uma música divulgada na televisão.

"Quero que a Tailândia esteja em paz, que os negócios vão bem", resume Lakana Ponsin, uma vendedora de flores em Bangcoc, disposta a votar a favor, mas sem muita convicção.

Como ela, cerca de 50 milhões de eleitores foram convocados a votar.

Sem possibilidade de debater, circula pouca informação sobre o novo texto. Os panfletos distribuídos pela comissão eleitoral, cuja imparcialidade é colocada em xeque, clamam a futura felicidade do país. Nada dizem sobre o fato de o Senado não ser eleito.

Trata-se de "impedir que pessoas desonestas façam política", afirma o panfleto, sem detalhar os obstáculos que o texto impõe aos partidos políticos.

"As pessoas pensam que quando tivermos uma Constituição teremos rapidamente eleições e depois um governo eleito que representará a maioria. É falso", adverte Puangthong Pawakapan, cientista político da universidade Chulalongkorn de Bangcoc.

Seja qual for o resultado da consulta, a junta não está disposta a deixar o poder.

O objetivo é modificar profundamente o sistema político para impedir que a oposição volte ao poder, especialmente o ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra e sua irmã Yingluck, cujo governo foi deposto pelo golpe de Estado em 2014.

Até agora, os militares sempre recorreram aos golpes de Estado, desde 2006 para Thaksin. Mas os Shinawatra sempre conseguiram voltar ao poder depois das eleições.

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