Tailândia aprova Constituição que reforça o poder militar

  • Jorge Silva/ Reuters

    Mulher monta cabine para votação no referendo sobre nova Constituição da Tailândia

    Mulher monta cabine para votação no referendo sobre nova Constituição da Tailândia

Os tailandeses aprovaram neste domingo (7) em referendo um controvertido projeto de Constituição que permitirá à junta militar continuar controlando o poder, inclusive depois da realização de eleições.

O "sim" à nova Constituição, que, segundo seus opositores, reforçará o poder dos militares, recebeu uma aprovação de 62%, depois de apurados 90% dos votos.

"Este referendo significa que a democracia demorará um pouco mais a voltar", afirmou Nattawut Saikua, líder do movimento opositor dos Camisas Vermelhas.

Nattawut se absteve, no entanto, de convocar seus partidários às ruas contra os militares, no poder desde o golpe que, em 2014, derrubou a primeira-ministra Yingluck Shinawatra.

"Trata-se do futuro da Tailândia (...). É a democracia. Votem", pediu o presidente da junta, o general Prayut Chan-O-Cha, ao depositar sua papeleta.

O texto votado prevê que o Senado seja designado, o que significaria que, inclusive em caso de eleições legislativas, prometidas para 2017, o Parlamento ficaria sob influência de uma câmara alta controlada pelos generais.

A Federação Internacional de Direitos Humanos (FIDH) denuncia uma "manipulação do processo de redação da Constituição" e uma "credibilidade zero" da votação.

Na Tailândia, humoristas e internautas criticam um referendo sobre o qual está proibido debater, sob pena de prisão.

As detenções e os chamados à ordem por distribuição de panfletos críticos se multiplicaram.

A polícia convocou vários opositores nesta semana em Bancoc por terem se reunido e anunciado a criação de grupos de observadores para o dia da votação.

A rede de televisão mais crítica à junta no poder, PeaceTV, foi fechada temporariamente.

Por sua vez, o regime pressionou os eleitores para que votassem. "Se unirmos nossos esforços para o referendo, teremos uma democracia estável", afirma uma música divulgada na televisão.

Cerca de 50 milhões de eleitores foram convocados a votar.

Sem possibilidade de debater, circula pouca informação sobre o novo texto. Os panfletos distribuídos pela comissão eleitoral, cuja imparcialidade é colocada em xeque, clamam a futura felicidade do país. Nada dizem sobre o fato de o Senado não ser eleito.

Trata-se de "impedir que pessoas desonestas façam política", afirma o panfleto, sem detalhar os obstáculos que o texto impõe aos partidos políticos.

"As pessoas pensam que quando tivermos uma Constituição teremos rapidamente eleições e depois um governo eleito que representará a maioria. É falso", diz Puangthong Pawakapan, cientista político da universidade Chulalongkorn de Bancoc.

A junta militar não parece estar disposta a deixar o poder. O objetivo é modificar profundamente o sistema político para impedir que a oposição volte ao poder, especialmente o ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra e sua irmã Yingluck.

Até agora, os militares sempre recorreram aos golpes de Estado, desde 2006 para Thaksin. Mas os Shinawatra sempre conseguiram voltar ao poder depois das eleições.

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