De Akihito a Naruhito, a modernização do trono do Crisântemo

Tóquio, 8 Ago 2016 (AFP) - O imperador Akihito, que nesta segunda-feira admitiu a dificuldade que tem para exercer seu cargo, soube modernizar progressivamente o rígido sistema imperial japonês, defendendo, por sua vez, uma mensagem de paz, um legado que o príncipe herdeiro Naruhito parece querer aprofundar.

- Akihito, imperador da paz -Akihito, 125º imperador japonês, nasceu em 23 de dezembro de 1933, quando o Japão estava em plena conquista militar na Ásia, e tinha 11 anos quando seu pai Hirohito perdeu o status divino, após a capitulação japonesa em agosto de 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial.

Quando sucedeu seu pai, em 1989, à frente da família real mais antiga do mundo, cujas origens remontam a 2.600 anos, segundo a mitologia, e ao século VII d.C., de acordo com os historiadores, assumiu com humildade e sabedoria suas funções como "símbolo da nação e da unidade do povo".

Assim o enuncia a Constituição pacifista de pós-guerra, que priva o imperador dos "poderes de governo".

Apesar desta limitação, Akihito soube expressar suas opiniões de maneira sutil durante os 27 anos de um reinado em nome do "cumprimento da paz" (era Hesei).

"Não se identifica com um nacionalismo intolerante", escreve Masayasu Hosaka, autor de uma obra sobre Akihito e seu pai, destacando que Akihito rejeita o culto ao imperador ou a glorificação do povo japonês.

No verão passado, expressou seu profundo remorso pelos atos cometidos pelo Japão no século XX, num momento em que o governo de Shinzo Abe reforçava os poderes das forças armadas.

Ao longo de seu reinado, Akihito, que estudou Ciência Política na prestigiada universidade de Gakushuin, se esforçou para fechar as feridas abertas pela guerra através de peregrinações aos locais das atrocidades cometidas pelo exército japonês na Ásia, acompanhado de sua esposa Michiko.

Antes de chegar ao trono do Crisântemo, quebrou as tradições ao se casar em 1959 com esta plebeia, filha de um comerciante de cereais que conheceu em um clube de tênis.

Aos 82 anos, este octogenário de voz doce defendeu novamente a modernização da monarquia, ao sugerir uma reforma das leis que contemplem a abdicação do imperador, que até o momento precisa permanecer no cargo até sua morte.

"O legado mais precioso que Akihito e Michiko deixarão são seus esforços para colocar seu prestígio imperial a serviço dos menos privilegiados", estima Kenneth Ruoff, especialista da universidade de Portland.

O imperador, que goza de um imenso respeito no Japão, se dirigiu diretamente aos japoneses pela primeira vez em 16 de março de 2011 em uma "mensagem aos afetados" pelo terremoto e tsunami que deixaram cinco dias antes 18.500 mortos e desaparecidos, ao mesmo tempo em que expressou sua "profunda preocupação" pela situação na central nuclear de Fukushima.

- Naruhito, seguindo os passos do pai -O príncipe herdeiro Naruhito, de 56 anos, parece seguir os passos de seu pai, já que em várias ocasiões convocou uma nova reforma para que a dinastia imperial entre no século XXI, principalmente quando a pressão das tradições afetava sua esposa.

"Será preciso redefinir os limites das obrigações imperiais para que se adaptem às mudanças de nosso tempo", declarou o príncipe há alguns anos.

Para o herdeiro do trono do Crisântemo, o Japão não deve minimizar as atrocidades cometidas por seu exército no século XX e deve olhar "com humildade" o passado, para trabalhar em benefício da "paz e da prosperidade no mundo".

Depois de chegar ao trono, Naruhito deve promover uma monarquia mais aberta e acessível, ampliando os esforços feitos por seu pai há 27 anos, a quem substituiu em 2012, quando o monarca se submeteu a uma operação cardíaca.

Ao contrário de Akihito, que foi separado de seus pais aos três anos para ser educado, os progenitores de Naruhito, nascido em 23 de fevereiro de 1960, o educaram eles mesmos, assim como seu irmão mais novo Akishino.

Com um perfil bastante discreto, como seu pai, com quem se parece fisicamente, este violinista apaixonado pelas caminhadas e pela conservação dos sistemas marinhos estudou na universidade de Oxford (Inglaterra) depois de se formar em História no Japão.

Mas a atenção do público japonês se concentrou especialmente nos problemas de saúde de sua esposa Masako, como princesa.

Esta brilhante diplomata, com quem se casou em 1993, renunciou a sua carreira para assumir suas novas funções, mas sofreu importantes pressões para gerar um filho homem e garantir, assim, a sucessão, reservada aos homens.

No entanto, em 2001 o casal teve sua primeira e até o momento única filha, Aiko.

A pressão sobre Masako diminuiu finalmente em 2006, quando o irmão de Naruhito teve um filho homem, Hisahito, o primeiro menino a nascer no seio da família imperial em 41 anos.

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