Líder do grupo islamita Boko Haram nega divisões internas

Kano, Nigéria, 8 Ago 2016 (AFP) - O líder do Boko Haram, Abubakar Shekau, prometeu intensificar o combate em um vídeo difundido na noite de domingo, rejeitando as divisões internas do grupo islamita reveladas na semana passada.

"Eu, Abubakar Ash Shakawy (Shekau), líder do Jama'atu Ahlissunnah Lidda'awati Wal Jihad (nome do Boko Haram depois de jurar lealdade ao Estado Islâmico em março de 2015), travo combate contra a Nigéria e contra todo mundo, uma responsabilidade pessoal", afirma no vídeo postado no Youtube e posteriormente deletado, onde é visto com aparente boa saúde e junto a dois combatentes armados.

"Não tenho qualquer desejo de matar nossos irmãos muçulmanos", afirma na gravação de 24 minutos, rejeitando as reiteradas críticas de alguns membros do EI que veem em Shekau um líder extremista que provocou milhares de mortos desde 2009, em sua grande maioria muçulmanos.

Este vídeo é uma nova resposta a uma entrevista difundida na terça passada por Abu Musab al Barnaui na Al Nabaa, revista oficial do EI, onde se apresentava como o novo chefe do califado da África Ocidental.

Na quinta-feira, Shekau reapareceu em uma mensagem de áudio, desfazendo rumores de que havia sido expulso da organização.

"As pessoas devem saber que ainda estou por aqui. Nunca vamos semear a discórdia entre as pessoas, vivemos segundo o Corão", afirmou Shekau na mensagem de dez minutos.

"É nossa postura e continuamos sendo Jama'atu Ahlissunnah Lidda'awati Wal Jihad," afirmou, usando o nome islâmico do Haram, e não o do EI.

Desde que o Boko Haram jurou fidelidade ao EI há muitas dúvidas e confusão sobre quem dirige o movimento islamita nigeriano.

A voz de Shekau foi reconhecida por um jornalista da AFP, que ouviu mensagens anteriores postadas em redes sociais.

Yan St-Pierre, um especialista do Modern Security Consulting Group (Mosecon), com sede em Berlim, também confirmou a voz de Shekau.

"Até agora sabíamos que havia divisões dentro do Boko Haram, agora essas divisões são públicas. A mensagem de Shekau se refere ao Boko Haram com seu antigo nome, mas, ao mesmo tempo, inclui alguns elementos da propaganda do EI, como se quisesse tranquilizar os antigos combatentes e as bases, mas sem negar sua lealdade a Al Bagdadi", líder do EI, explicou.

A mensagem de Abubakar Shekau é uma resposta aos rumores de que teria sido expulso e substituído por Abu Musab al Barnawi, que foi porta-voz do EI.

Shekau virou líder do Boko Haram em 2009 depois da morte do fundador do grupo, Mohammed Yusuf.

As ações do movimento deixaram cerca de 20.000 mortos e 2,6 milhões de refugiados.

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