ONU pede 'pausa alimentar' para alcançar 1,5 milhão de habitantes de Aleppo

Damasco, 9 Ago 2016 (AFP) - A ONU pediu uma pausa nos combates em Aleppo para poder alcançar de forma imediata 1,5 milhão de habitantes quase cercados nesta cidade síria onde o regime e os rebeldes se preparam para uma batalha decisiva.

Nas últimas semanas estão sendo registrados intensos combates dentro e nos arredores desta cidade do norte, dividida em bairros controlados pelos insurgentes, no leste, e em zonas pró-governamentais, no oeste.

Em um comunicado divulgado na noite de segunda-feira, o coordenador humanitário da ONU para a Síria, Yacub el Hillo, e o coordenador regional Kevin Kennedy pediram uma "pausa humanitária" nos combates.

"A ONU está disposta a ajudar a população civil de Aleppo, uma cidade unida pelo sofrimento", afirmou a organização.

Mas "precisa de ao menos um verdadeiro cessar-fogo ou pausas humanitárias semanais de 48 horas para ter acesso às pessoas necessitadas (...) e para reabastecer as reservas de alimentos e remédios, que estão a um nível perigosamente baixo", acrescentou o texto.

Segundo a ONU, dois milhões de pessoas "vivem de fato no medo de estar cercadas". Delas, 275.000 estão "bloqueadas no leste de Aleppo".

Os especialistas estimam, por sua vez, em 1,5 milhão as pessoas que vivem no leste e no oeste da segunda cidade síria. Ao menos 1,2 vivem na parte governamental e 250.000 residem nos bairros rebeldes.

Os rebeldes se apoderaram no sábado de uma grande parte do distrito governamental de Ramusa, na periferia sul de Aleppo, o que lhes permitiu alcançar os bairros rebeldes, romper seu cerco e bloquear a principal rota de abastecimento dos bairros pró-regime.

Mas as forças pró-governamentais encontraram uma rota alternativa e conseguiram, na noite de domingo, fazer chegar aos seus bairros de Aleppo caminhões de ajuda através da rota do Castello, retomada recentemente dos rebeldes.

Dezenas de caminhões com alimentos e combustível entraram antes do amanhecer nos bairros pró-regime, depois que os moradores compraram em massa alimentos e água por medo de um cerco total.

Os dois grupos podem, assim, enviar alimentos e outros produtos aos seus setores, mas estas vias de abastecimento não são suficientemente seguras para os civis.

A guerra na Síria, iniciada em março de 2011 após a repressão de manifestações pró-democracia, se tornou mais complexa com o envolvimento de atores internacionais e grupos extremistas.

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