Polícia canadense frustra atentado e mata suposto terrorista

Em Ottawa

  • John Woods/The Canadian Press/AP

    Aaron Driver, em foto de arquivo, foi identificado como sendo o suposto terrorista morto em operação da polícia canadense

    Aaron Driver, em foto de arquivo, foi identificado como sendo o suposto terrorista morto em operação da polícia canadense

A polícia canadense matou um suposto membro do grupo Estado Islâmico (EI) que se preparava para ativar um artefato explosivo na província de Ontário (centro), indicaram meios de comunicação.

A polícia federal limitou-se a indicar na noite de quarta-feira que havia frustrado "uma potencial ameaça terrorista" e que havia identificado o autor.

"O suspeito foi identificado e (a polícia) adotou a linha de ação adequada para garantir que a segurança pública não fosse colocada em perigo", indicou a instituição em um comunicado, sem informar o local do incidente.

Segundo os meios de comunicação, o suspeito é um canadense de 24 anos que havia sido detido em 2015 por expressar simpatia ao EI nas redes sociais. Foi solto em fevereiro, mas permanecia sob estreita vigilância.

A rádio CBC o identificou como Aaron Driver, que teria sido neutralizado em Stahroy, uma zona residencial do sul de Ontário.

Um familiar do suspeito entrevistado pela CBC sob condição de anonimato indicou que as autoridades comunicaram à família que o jovem foi abatido quando se preparava para detonar uma bomba.

Outro meio de comunicação, CTV, afirmou que se tratava de um membro do EI e disse, citando documentos confidenciais, que se preparava para cometer um atentado em um local muito movimentado de uma grande cidade.

A polícia disse que a "investigação prossegue", sem fornecer maiores detalhes.

"Lobos solitários"Dois soldados canadenses foram assassinados em outubro de 2014 por lobos solitários, que foram abatidos, na província de Quebec e na capital do país, Ottawa.

O primeiro destes lobos solitários atropelou com um veículo dois soldados, matando um deles, na localidade de Saint-Jean-sur-Richelieu, 40 quilômetros a sudeste de Montreal.

Dois dias depois, outro indivíduo atirou contra um soldado nos arredores do Parlamento.

Aaron Driver apareceu nos radares da polícia e dos serviços de inteligência canadenses em outubro de 2014, quando justificou nas redes sociais o gesto de uma jovem radicalizada que matou um soldado de guarda em frente ao monumento dos mortos de Ottawa.

Naquele momento, Driver já havia se convertido ao Islã, apesar de ter nascido em uma família católica da província de Saskatchewan, no oeste do país.

Após estes ataques, o governo conservador da época ampliou os poderes da polícia para frustrar planos de atentados e impedir a partida de jovens radicalizados que buscassem se somar às fileiras do EI na Síria.

Nessa época, quando Driver vivia na casa da família em Winnipeg (Manitoba), "se movia em grande sigilo, como um lobo solitário, nenhum amigo ia a sua casa, nunca dizia para onde ia ou o que fazia", disse em 2015 à rede pública de televisão CBC seu pai, que na época já temia que seu filho se convertesse em um "extremista radical".

Aaron Driver justificou estas atitudes de outra forma na mesma reportagem: "o que acontecia na Síria te rebelava e ao mesmo tempo te partia o coração, e acredito que, se a pessoa sabe o que acontece, deve fazer algo".

No entanto, na ocasião afirmou que não via nenhum motivo para que "os canadenses pensem que sou uma ameaça".

Embora tenha conseguido que retirassem sua pulseira eletrônica em junho de 2015, Driver continuava sob rígido controle judicial.

O Canadá se somou em setembro à coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos para combater o EI.

O país reduziu seu envolvimento no conflito após a chegada ao poder em 2015 dos liberais de Justin Trudeau, que ordenou a retirada dos aviões caça da zona, embora tenha aumentado o número de instrutores militares canadenses no Iraque.

Trudeau reafirmou em várias ocasiões o compromisso de seu governo "na luta contra o terrorismo sob todas as suas formas".

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