Putin reforça segurança na Crimeia após acusar Ucrânia de preparar atentados

Moscou, 11 Ago 2016 (AFP) - O presidente russo, Vladimir Putin, anunciou nesta quinta-feira que reforçará a segurança na Crimeia, onde os serviços secretos russos disseram ter frustrado atentados preparados pela Ucrânia, provocando um aumento da tensão entre Moscou e Kiev.

Mais de dois anos depois da anexação da península ucraniana após um referendo considerado ilegal pelos países ocidentais, a denúncia de Moscou, desmentida por Kiev, deu lugar a uma troca de acusações como não havia ocorrido em meses.

Elas chegaram a colocar em xeque a iniciativa de realizar uma negociação no início de setembro, à margem do G20 na China, sobre a crise ucraniana.

Depois de ter acusado na quarta-feira as autoridades ucranianas de "passar ao terror", Vladimir Putin reuniu seu Conselho de Segurança, anunciou nesta quinta-feira o Kremlin no comunicado.

"Foram debatidas medidas adicionais para garantir a segurança dos cidadãos e das infraestruturas vitais da Crimeia", explicou a presidência. Os participantes "estudaram detalhadamente as possíveis medidas antiterroristas para proteger as fronteiras terrestres, as águas territoriais e o espaço aéreo da Crimeia", disse a mesma fonte.

Este Conselho de Segurança reuniu o primeiro-ministro Dmitri Medvedev, os ministros das Relações Exteriores, Serguei Lavrov; o da Defesa, Serguei Choigu, e o do Interior, Vladimir Kolokolsev, assim como responsáveis dos serviços secretos russos (FSB), Alexandre Bortnikov, e da inteligência exterior (SVR), Mikhail Fradkov.

Desviar a atenção?O FSB acusou Kiev de ter lançado várias incursões de "sabotadores-terroristas" que terminaram em confrontos armados e que custaram a vida, segundo Moscou, de um agente do FSB e de um militar russo.

Segundo o FSB, um primeiro grupo foi descoberto perto da cidade de Armiansk, na Crimeia, na madrugada de 7 de agosto em posse de vinte artefatos explosivos caseiros e vários quilos de TNT. Outros dois grupos foram interceptados na noite seguinte, apoiados por disparos do exército ucraniano, segundo a mesma fonte.

Fontes citadas pelo jornal russo Kommersant afirmaram que as pessoas detidas queriam atacar zonas turísticas da península, conhecida por suas praias, para "semear o pânico" provocando pequenas explosões.

O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, denunciou acusações "absurdas e cínicas", que servem de "pretexto para novas ameaças militares contra a Ucrânia".

O ministério da Defesa ucraniano evocou uma "tentativa de justificar a mobilização e as agressões" das forças russas na região.

Perguntados pela AFP, vários cidadãos da Crimeia que vivem perto da fronteira ucraniana disseram ter visto grandes movimentos de veículos militares na região nos últimos dias.

Os Estados Unidos, através de seu embaixador na Ucrânia, Geoffrey Pyatt, disseram não ter "visto nada que corrobore as acusações da Rússia" e culparam Moscou por utilizar "frequentemente falsas acusações para desviar a atenção de seus atos ilegais".

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