Chefe da OEA disposto a observar referendo e protesto da oposição na Venezuela

Washington, 12 Ago 2016 (AFP) - O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, expressou nesta sexta-feira estar disposto a observar o organismo do processo de referendo revogatório presidencial na Venezuela, assim como o protesto da oposição, que quer acelerar a consulta.

O deputado Luis Florido e o exilado político Carlos Vecchio, ambos do partido opositor Vontade Popular, se reuniram em Washington com Almagro, a quem pediram o envio de uma delegação da OEA para observar a manifestação, prevista para o dia 1º de setembro, em Caracas.

O chefe da OEA expressou através de seu chefe de gabinete, Gonzalo Koncke, sua "disposição" em avaliar o acompanhamento do protesto, convocado pela oposição para exigir às autoridades eleitorais venezuelanas que anunciem a data para o recolhimento das quatro milhões de assinaturas (20% do padrão eleitoral) necessárias para convocar o referendo.

"Almagro mostrou sua disposição em colocar os serviços da Secretaria Geral da OEA ou de outras instâncias da OEA que possam ser utilizados", disse Koncke a jornalistas após o encontro.

O ex-chanceler uruguaio também aceitou avaliar o envio de observadores na coleta das assinaturas, apontou Koncke.

Mas o futuro de ambas as iniciativas é incerto, pois desde 2006 a Venezuela não permite missões da OEA para observar seus processos eleitorais.

"Ditadura"A opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) pede que "personagens da vida pública" dos países da região assistam "ao vivo" a manifestação para "ratificar e ver que a vocação do povo venezuelano é sair disto em paz", assinalou Florido.

"E que eles sejam testemunhas de que qualquer evento (violento) não será promovido pelos fatores da unidade democrática", acrescentou o congressista e presidente da Comissão de Política Exterior da Assembleia Nacional (de maioria opositora).

Almagro expressou sua preocupação devido à sentença dada pelo máximo tribunal de justiça venezuelano, que manteve o aval aos militares para usar armas de fogo no controle da ordem pública, segundo Koncke.

Na terça-feira, a presidente do órgão eleitoral, Tibisay Lucena, anunciou que a coleta de assinaturas seria realizado no fim de outubro, mas não deu uma data precisa.

O calendário oficial distancia a possibilidade de o referendo ser realizado antes do dia 10 de janeiro de 2017. Se o mandato de Maduro for revogado antes dessa data, eleições devem ser convocadas, mas se for depois, seu vice-presidente completará os dois anos restantes do mandato.

"Se lhe tiram o direito de revogar esse mandato, isso é um golpe de Estado, isso é uma ditadura", sentenciou Vecchio.

Maduro enfrenta o descontentamento de uma população que sofre com escassez de alimentos e remédios, que atinge 80% do país, e uma inflação de 180,9% em 2015.

Enquanto isso, a maioria opositora no Parlamento e o governo estão envolvidos em um conflito institucional, que as tentativas de diálogo iniciados pelo ex-chefe do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, não conseguiram resolver.

Florido assinalou que sem uma data anunciada para o referendo, nem a liberação de opositores presos, como o dirigente Leopoldo López, e a "abertura de um canal humanitário", o diálogo fica "momentaneamente ferido".

"Não tiveram resultados concretos (...) e em alguns aspectos a situação piorou", concordou Koncke.

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