Quatro mortos em explosões em zonas turísticas da Tailândia

Bangcoc, 12 Ago 2016 (AFP) - Uma série de ataques com bomba em zonas turísticas da Tailândia deixaram quatro mortos e dezenas de feridos, incidentes que a polícia classificou nesta sexta-feira de "sabotagem local", descartando a pista terrorista.

"Não é um ataque terrorista. É apenas uma sabotagem local", afirmou o porta-voz da polícia nacional, Piyapan Pingmuang. Pouco antes, o chefe da junta militar tailandesa, o general Prayut Chan-O-Cha, havia denunciado uma vontade de "semear o caos".

Até o momento, as autoridades não privilegiam nenhuma pista, como uma possível vingança política em um clima de forte repressão das liberdades desde o golpe de Estado de 2014. Descartam apenas que seja obra dos separatistas muçulmanos do extremo sul do país.

No total, entre quinta e sexta-feira 11 bombas explodiram nas cinco províncias do sul da Tailândia, especialmente nas localidades turísticas costeiras de Hua Hin e Phuket.

Hua Hin é a mais afetada, com um duplo atentado na noite de quinta-feira que deixou um morto e 21 feridos, entre eles turistas estrangeiros.

Na manhã desta sexta-feira, um novo duplo atentado no mesmo bairro turístico provocou a morte de uma segunda pessoa, gerando uma onda de pânico nesta localidade costeira, segundo jornalistas da AFP no local.

Cortinas fechadas, ruas vazias... Diante do caráter inédito deste ataque coordenado em várias cidades da Tailândia, os habitantes de Hua Hin decidiram se trancar em casa.

Na cidade de Surat Thani, 400 km mais ao sul, uma funcionária municipal perdeu a vida na explosão de uma bomba.

Em Phuket, a localidade costeira mais famosa da Tailândia, foi contabilizado um único ferido leve, mas o local do ataque é simbólico: uma das praias mais turísticas do país.

Na noite de quinta-feira em Hua Hin, duas bombas explodiram com 30 minutos de intervalo e a 50 metros de distância em uma zona próxima à praia, onde se situam muitos bares e restaurantes frequentados pelos turistas.

Entre os nove estrangeiros feridos há dois holandeses, dois alemães e um italiano.

"Houve muito barulho, a polícia corria por toda parte. Foi terrível", explicou à AFP Michael Edwards, um turista australiano que foi testemunha da explosão.

Fim de semana prolongadoHua Hin, situada 200 quilômetros ao sul de Bangcoc, é uma região frequentada por muitos turistas estrangeiros, mas também por tailandeses. Muitos chegaram a esta localidade costeira na quinta-feira, no início de um fim de semana prolongado por ocasião do aniversário da rainha da Tailândia nesta sexta.

Em Hua Hin, com sua primeira faixa de praia invadida pelos grandes hotéis internacionais e pelos bares noturnos, também se encontra a residência de verão da família real.

O último ataque de grande magnitude na Tailândia foi registrado em agosto de 2015, quando 20 pessoas, entre elas muitos turistas chineses, morreram na explosão de uma bomba em Bangcoc.

O julgamento contra os dois principais suspeitos deve começar no dia 23 de agosto.

Até agora, com exceção deste atentado, a Tailândia não foi atingida por ataques de grande magnitude nem pelo terrorismo internacional.

O ataque de 2015 em Bangcoc nunca foi reivindicado. É privilegiada a pista de um grupo vinculado à minoria uigur chinesa, mas sem vínculos com o jihadismo internacional.

A única região afetada pelas explosões de bombas artesanais é o extremo sul do país, na fronteira com a Malásia.

Ali, uma insurreição de muçulmanos independentistas sem relação com o terrorismo internacional deixou milhares de mortos em uma década de conflito. Os ataques são dirigidos geralmente contra os militares tailandeses.

No entanto, até agora os independentistas não reivindicaram ataques fora de sua região, neste país governado por uma junta militar desde o golpe de Estado de 2014.

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