Santuário de Lourdes acolhe peregrinos sob fortes medidas de segurança

Lourdes, França, 12 Ago 2016 (AFP) - Milhares de católicos se reúnem no santuário de Lourdes, sul da França, por ocasião da peregrinação anual da Assunção, em meio a fortes medidas de segurança depois dos recentes atentados terroristas no país.

Está previsto que 25.000 fiéis participem da peregrinação, a mais frequentada de todas que o santuário francês acolhe.

Segundo o dogma católico, a festa celebra a elevação aos céus da Virgem Maria. O ato é concluído no dia 15, com uma missa solene.

As celebrações começaram nesta sexta com uma procissão, cujo trajeto foi modificado por razões de segurança.

Depois da matança de 14 de julho no Passeio dos Ingleses, em Nice, que deixou 85 mortos e o assassinato em 26 de julho do sacerdote Jacques Hamel, de 85 anos, degolado em plena missa em uma igreja da Normandia, as autoridades reforçaram o dispositivo de segurança no santuário.

Desde quinta, policiais e militares patrulham os 52 hectares do santuário, onde se encontra a cova de Massabielle. Lá, segundo a Igreja católica, a Virgem apareceu a Bernadette Soubirous em 1858.

Nos três acessos abertos, invés dos 12 habituais, os agentes de segurança filtram as entradas dos visitantes e controlam suas bolsas, medidas similares que foram aplicadas durante as visitas de João Paulo II (2004) e Bento XVI (2008).

O ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, visitará o santuário no sábado para inspecionar o dispositivo de segurança, levando em conta a ameaça terrorista que continua extremamente elevada.

"O dispositivo de segurança é um pouco impressionante, mas serve para tranquilizar todo mundo", comentou Françoise, de 58 anos, voluntária que ajuda os doentes, que procuram o lugar conhecido por suas curas milagrosas.

"É importante mostrar que a vida continua. Os fanáticos que tentam semear o medo não podem nos fazer renunciar a nossa fé, nossas crenças, nosso modo de viver", afirma Matthieu Guignard, de 40 anos, que cuida das crianças peregrinas há mais de 20 anos.

O medo de novos atentados obrigou as autoridades francesas de várias cidades a anular festivais e manifestações culturais, por não poder garantir a segurança durante os eventos.

Apesar de a popular peregrinação de 15 de agosto sofrer uma redução nos últimos anos, o número de fiéis presentes este ano, após os atentados de julho, registraram paradoxalmente um aumento das inscrições de participantes, destacou o padre Fabien Lejeusne, responsável pelo evento.

"Tradicionalmente, em 15 de agosto rezamos [entre outros] pelos militares", explicou. "Esta oração terá uma repercussão especial, já que são eles que agora cuidam da nossa proteção".

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