Fidel Castro cita inimizade com EUA e critica Obama no aniversário de 90 anos

Havana, 13 Ago 2016 (AFP) - O líder cubano Fidel Castro, que completa 90 anos neste sábado, cita em um artigo a velha inimizade com os Estados Unidos e critica a falta de "estatura" do discurso do presidente Barack Obama em sua visita ao Japão em maio.

"Considero que faltou estatura ao discurso do presidente dos Estados Unidos quando visitou o Japão, e lhe faltaram palavras para pedir desculpas pela matança de centenas de milhares de pessoas em Hiroshima, apesar de conhecer os efeitos da bomba", disse o ex-governante no artigo "O aniversário".

Foi "igualmente criminoso" - completou - "o ataque a Nagasaki, cidade que os donos da vida escolheram ao acaso". "É por isto que há que martelar sobre a necessidade de preservar a paz, e que nenhuma potência se tome o direito de matar milhões de seres humanos", afirma no texto publicado pela imprensa estatal.

Afastado do poder há uma década, o líder da revolução cubana recordou trechos de sua infância e o confronto com os Estados Unidos durante os 48 anos em que esteve à frente da ilha socialista, e "seus planos de eliminação".

"Eu quase sorria com os planos maquiavélicos dos presidentes de Estados Unidos", afirma Castro em um artigo com data de 12 de agosto às 22H34.

De acordo com o serviço de inteligência cubano, Fidel Castro enfrentou 634 complôs entre 1958 e 2000.

Por conta da doença, Fidel Castro delegou o poder a seu irmão Raúl, que restabeleceu as relações diplomáticas com Washington em 2015.

No artigo, Castro agradece "as mostras de respeito, as saudações e os presentes" que recebeu nos últimos dias. Também volta a alertar sobre os riscos da superpopulação mundial e destacou China e Rússia como "grandes potências que não podem ser submetidas às ameaças da impor o uso das armas nucleares".

"A espécie humana enfrenta hoje o maior risco de sua história. Os especialistas nestes temas são os que mais podem fazer pelos habitantes deste planeta, cujo número se elevou, de um bilhão no fim de 1800 a sete bilhões no início de 2016. Quantos terá nosso planeta dentro de alguns anos?", questionou.

Fidel foi visto pela última vez em público em 19 de abril, no encerramento do Congresso do Partido Comunista Cubano. Na ocasião, com voz trêmula, pediu aos cubanos que mantenham o rumo socialista.

"Em breve serei como todos os demais. A todos nós chegará nossa vez", disse em um discurso que foi interpretado como um testamento aos comunistas.

Em 28 de março a imprensa havia publicado seu artigo anterior, no qual afirmava que Cuba não precisa que o "império nos presenteie com nada", após visita de Obama à ilha alguns dias antes.

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