Coalizão árabe nega responsabilidade na morte de crianças iemenitas

Riade, 14 Ago 2016 (AFP) - A coalizão árabe que apoia o governo no conflito do Iêmen negou neste domingo ter bombardeado uma escola no norte do país e garantiu que sua única incursão da véspera teve como alvo um campo de treinamento dos rebeldes xiitas huthis.

A organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) afirmou neste domingo que 10 crianças morreram e outras 28 ficaram feridas em ataques aéreos contra uma escola corânica de Haydan, na província setentrional de Saada, controlada pelos rebeldes huthis.

A Unicef confirmou este bombardeio aéreo contra uma escola do norte do Iêmen e a morte de várias crianças, ao mesmo tempo em que convocou os dois grupos a não atacar crianças.

No entanto, a coalizão árabe, dirigida pela Arábia Saudita, afirmou que o alvo do ataque foi um campo de treinamento, onde os rebeldes formam, segundo ela, crianças soldado.

"Utilizam as crianças como recrutas", disse à AFP o general saudita Ahmed Al Asiri, desmentindo que uma escola fosse o alvo da coalizão.

"Esperávamos que, em vez de ir chorar aos meios de comunicação, a MSF tomasse medidas para deter o recrutamento de crianças durante as guerras", disse o general Al Asiri.

Segundo ele, o ataque aéreo matou o responsável do campo Abu Yahya Abu Rabaa e um número indeterminado de rebeldes xiitas huthis.

"Nossa pergunta é a seguinte: O que crianças fazem ali?", questionou o general, que acusa os rebeldes de "recrutar crianças e de utilizá-las como exploradores, guardas, mensageiros e combatentes".

Os xiitas huthis, provenientes do norte do Iêmen e aliados do ex-presidente Ali Abdullah Saleh, se ergueram contra o poder do presidente Abd Rabo Mansur Hadi em 2014 e conquistaram amplos setores do país, entre eles a capital, Sanaa.

Em março de 2015, a monarquia sunita da Arábia Saudita, que acusa os huthis de ter vínculos com seu rival xiita, Irã, liderou uma coalizão militar árabe, cujo objetivo é frear o avanços dos rebeldes através de bombardeios aéreos, especialmente.

Desde então, esta guerra deixou mais de 6.400 mortos e 30.000 feridos, entre eles muitos civis.

Menos de 15 anosA coalizão e a Arábia Saudita são acusadas com frequência de cometer abusos contra os civis.

"Vimos 10 crianças mortas e 28 feridas, todas com menos de 15 anos, vítimas de ataques aéreos em uma escola corânica de Haydan", disse uma porta-voz da MSF, Malak Shaher.

Um porta-voz dos rebeldes huthis, Mohamed Abdelsalam, denunciou um "crime odioso" e divulgou no Facebook fotos e vídeos de corpos de crianças mortas.

A polêmica sobre este bombardeio no norte do Iêmen chega após um aumento dos combates registrado desde a suspensão, no dia 6 de agosto, das negociações no Kuwait.

"Devido à intensificação da violência no Iêmen na semana passada, a quantidade de crianças mortas ou feridas em bombardeios aéreos, ou pela explosão de minas, aumentou de forma significativa", lamentou a Unicef.

No início de agosto, as Nações Unidas acusaram todos os grupos de cometer "violações do direito humanitário".

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