Conselho da Europa aponta precariedade de refugiados sírios na Turquia

Estrasburgo, França, 16 Ago 2016 (AFP) - O Conselho da Europa alertou em um relatório publicado nesta terça-feira para as precárias condições de vida dos sírios na Turquia, entre os quais crescem os registros de trabalho infantil ou casamentos precoces motivados pela pobreza.

No informe, o representante especial do secretário-geral do Conselho da Europa para as migrações e os refugiados na Turquia, Thomas Bocek, destaca que "os refugiados sírios, os demandantes de proteção internacional e os beneficiários e titulares de permissões de residência 'humanitária' vivem, em sua maioria, fora dos campos".

Estas pessoas não recebem "nem alojamento, nem ajuda financeira para se alojar", com um parque residencial no qual está se dando uma "rápida elevação dos aluguéis, motivada pela demanda maciça", lamenta.

Em um contexto de "empobrecimento para milhares de refugiados", "o número de crianças sírias que trabalham, especialmente na indústria têxtil e da agricultura, explodiu", destacou o informe.

Por isso, pede às autoridades turcas para agir para conseguir a escolarização destas crianças, ajudando financeiramente os pais para que aceitem levá-los à escola.

Bocek adverte, ainda, para o número crescente de casamentos de meninas menores de 15 anos e adverte para que a precariedade em que vivem muitas famílias refugiadas possa conduzir ao tráfico de crianças.

No informe, urge às autoridades turcas a mobilizar os recursos necessários para permitir às vítimas de abusos que recebam tratamento médico, psicossocial e jurídico.

A Turquia abriga neste momento a maior população de refugiados do mundo: 3,1 milhões de pessoas, entre as quais se encontram, segundo o informe, 2,75 milhões de sírios.

O representante especial também mostra preocupação pelo fato de que os refugiados e demandantes de asilo não registrados na Turquia não tenham acesso a emergências, o que inclui cuidados de obstetrícia.

"Isto é muito preocupante, dado o elevado número de nascimentos entre os refugiados", lamenta.

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