Justiça turca pede 2 condenações à prisão perpétua para clérigo opositor

Istambul, 16 Ago 2016 (AFP) - A procuradoria turca pediu duas condenações à prisão perpétua para Fethullah Gulen, o clérigo exilado nos Estados Unidos e acusado de ter orquestrado o fracassado golpe de Estado de 15 de julho, enquanto prosseguiam os expurgos contra supostos simpatizantes em dezenas de empresas em Istambul.

Segundo um documento de 2.527 páginas aprovado pela procuradoria da região ocidental de Usak, Gülen é acusado de "tentar destruir a ordem constitucional à força" e "de formar e conduzir grupos terroristas armados", entre outras acusações feitas contra ele, disse a agência de notícias Anatolia.

Dos 111 suspeitos envolvidos no caso, 13 estão detidos, disse a agência. Todos enfrentam penas de prisão que vão de dois anos à prisão perpétua.

Segundo a ata de formulação de acusações, uma rede de organizações gülenistas, que o governo turco chama pelo acrônimo de FETO, se infiltrou nos arquivos estatais através de membros que trabalhavam em instituições públicas e organismos de inteligência.

A procuradoria indicou que o grupo utilizou sua rede de fundações, escolas, dormitórios para estudantes, meios de comunicação e empresas de seguros para tomar o controle de instituições estatais.

A Turquia pede com insistência aos Estados Unidos desde o golpe frustrado de 15 de julho a extradição do pregador turco, inimigo do presidente Recep Tayyip Erdogan, e critica os americanos por não terem respondido ao pedido de extradição.

A partir da Pensilvânia, Gülen negou todas as acusações.

Um processo "justo e imparcial" para GülenDurante o dia, o primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, disse em seu discurso semanal ante os deputados do governista Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP) que é partidário de um processo "justo e imparcial" para Gülen.

"Gülen voltará à Turquia e prestará contas", afirmou.

Em suas declarações, Yildirim pareceu recuar à possibilidade de um restabelecimento da pena de morte.

"Uma pessoa só morre uma vez quando é executada. Existem formas de viver que se parecem mais com a morte para este tipo de pessoas", sustentou.

"As pessoas querem o restabelecimento da pena, mas não acredito que, se chegar o momento de um debate parlamentar sobre o tema, os deputados irão aprová-lo", estimou uma fonte governamental.

Enquanto isso, o expurgo de supostos simpatizantes de Gülen ou de pessoas que teriam apoiado o golpe de Estado frustrado se seguiu com uma vasta operação em Istambul. Desde 15 de julho mais de 35.000 pessoas foram presas, 11.597 das quais foram liberadas.

Nesta terça-feira 80 pessoas foram detidas, informaram meios de comunicação locais.

Por sua vez, a procuradoria de Istambul anunciou que 239 de seus funcionários foram detidos na segunda-feira.

Em uma conferência de juristas, Erdogan insistiu que "todas as detenções foram realizadas respeitando a lei" e o estado de emergência decretado depois do golpe de Estado frustrado, minimizando, assim, as críticas internacionais.

"No dia de hoje, um mês após o golpe de Estado, nenhum líder ocidental visitou nosso país", lamentou o homem forte de Ancara.

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