Dilma se apresentará pessoalmente no julgamento do impeachment

Brasília, 17 Ago 2016 (AFP) - A presidente afastada Dilma Rousseff irá pessoalmente ao Senado no dia 29 de agosto para se defender durante o julgamento de impeachment que ameaça seu mandato.

"Ela vai", disse de forma sucinta nesta quarta-feira à AFP um porta-voz da presidente, que está suspensa de suas funções desde o dia 12 de maio.

O presidente da Suprema Corte, Ricardo Lewandowski, que conduzirá o processo, detalhou que Dilma poderá comparecer diante do Senado em 29 de agosto, quatro dias depois do início da fase final do impeachment, que durará no máximo cinco dias.

O presidente do Senado, Renan Calheiros, antecipou na quarta-feira pela manhã que a votação poderia ser realizada no dia seguinte da apresentação de Dilma Rousseff.

Acusada de ter violado a Constituição ao autorizar gastos à revelia do Congresso, o mandato de Dilma está ameaçado. Derrotada em todas as votações desde que o processo de sua destituição foi aceito no dia 2 de dezembro de 2015, existe um amplo consenso entre os senadores de que ela não conseguirá salvar seu cargo.

Consultada pelo jornal Folha de S. Paulo sobre temer as atitudes agressivas dos senadores, Dilma disse: "Nunca tive medo disso. Aguentei tensões bem maiores na minha vida. É um exercício de democracia".

Na terça-feira, Dilma Rousseff fez um chamado ao Senado em uma carta aberta para que coloquem fim ao impeachment em nome da democracia, onde também afirmou ser inocente das acusações.

Atolada na impopularidade, ela é responsabilizada pela recessão econômica que o Brasil vive, a pior desde os anos 1930 se confirmadas as projeções oficiais, e pela instabilidade política que mergulhou o país na incerteza.

O Partido dos Trabalhadores (PT) também foi acusado de corrupção derivada de uma fraude na Petrobras.

Pouco depois de Dilma divulgar sua carta, a Suprema Corte de Justiça aceitou abrir a primeira investigação formal sobre a presidente para verificar se ela tentou impedir a 'Operação Lava Jato', que tem na mira seu antecessor e padrinho político, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na mira.

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