Serra afirma que Venezuela não assume presidência do Mercosul

Brasília, 18 Ago 2016 (AFP) - O chanceler José Serra afirmou nesta quarta-feira que a Venezuela não assumirá a presidência do Mercosul porque é um país governado "por um regime autoritário" e não reúne as condições para presidir o Bloco.

"A Venezuela não vai assumir o Mercosul, isto é certo", disse Serra a jornalistas após receber líderes opositores venezuelanos no Palácio do Itamaraty, em Brasília.

"A Venezuela vive sob um regime autoritário, não democrático. Um país que tem presos políticos não pode ser um país democrático", declarou Serra, que recebeu o deputado Luis Florido e a mulher do líder opositor Leopoldo López, condenado a 14 anos de prisão por fomentar a violência durante a onda de protestos contra Maduro em 2014.

"Estamos buscando uma fórmula, que tem que ser encontrada, para poder levar o Mercosul até dezembro para que em janeiro assuma o presidente (argentino, Mauricio) Macri", declarou Serra, que desde que assumiu a chancelaria tem adotado um tom duro com o governo de Nicolás Maduro.

O Mercosul atravessa sua pior crise em anos diante da negativa de Brasil, Paraguai e Argentina em admitir a presidência temporária da Venezuela, devido à crise política que abala o país caribenho.

Serra avaliou que a entrada da Venezuela no Mercosul, em 2012, foi "através de um golpe", porque ocorreu enquanto o Paraguai - que rejeitava a admissão de Caracas - estava temporariamente suspenso do Bloco devido a uma crise política interna.

O chanceler manifestou seu apoio aos opositores venezuelanos e disse que "todos os países democráticos do mundo" devem pressionar o governo de Maduro para que o referendo revogatório de seu mandato seja realizado este ano, e não em 2017, como sugere o calendário anunciado recentemente pelas autoridades eleitorais da Venezuela.

"Rejeito este governo autoritário, quando ressurgir a democracia, a Venezuela poderá contar com o Brasil para sua reconstrução", declarou Serra.

Há três semanas, o Uruguai concluiu seu período na presidência do Mercosul e defendeu a entrega da liderança à Venezuela, dentro do critério de ordem alfabética.

Apesar da oposição de Brasil, Paraguai e Argentina, Caracas içou a bandeira do Mercosul na capital venezuelana para simbolizar o início do seu período na presidência do Bloco.

Mal-entendido desfeitoSerra afirmou que as relações com o Uruguai "voltaram à normalidade" após o breve mal-estar por uma suposta pressão do Brasil envolvendo a crise no Bloco.

"O chanceler uruguaio (Rodolfo Nin Novoa) me telefonou há pouco e disse que os fatos divulgados ontem não passaram de um mal-entendido. Tudo voltou ao normal", destacou Serra.

A chancelaria uruguaia emitiu um comunicado destacando que houve um mal-entendido sobre a proposta brasileira de efetuar atividades conjuntas de promoção comercial entre os dois países em terceiros mercados, e que agora ficou perfeitamente claro que a mesma não tem relação alguma com a consideração da transferência da presidência pro tempore do Mercosul".

Na terça-feira, em um fato sem precedentes em décadas, a chancelaria convocou o embaixador uruguaio em Brasília para que desse explicações sobre as declarações do ministro Nin Novoa, que acusou o Brasil de querer mudar a posição de Montevidéu sobre a transferência da presidência pro tempore do Mercosul para a Venezuela, oferecendo-lhe participar de negociações com terceiros países.

O Brasil "recebeu com profundo mal-estar e surpresa as declarações do chanceler Nin Novoa sobre a visita do ministro José Serra ao Uruguai", em julho, anunciou o Itamaraty.

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