Trump cai nas pesquisas e volta a mudar diretor de campanha

Washington, 17 Ago 2016 (AFP) - Donald Trump voltou a modificar sua equipe de campanha, que agora será dirigida por um conservador executivo da internet e uma pesquisadora, em meio a sua contínua queda nas pesquisas para as presidenciais de novembro nos Estados Unidos.

O candidato republicano também anunciou que nesta semana sua campanha lançará publicidade na TV pela primeira vez. A reticência do magnata imobiliário em comprar anúncios televisivos surpreendeu os observadores, num momento em que sua corrida em direção à Casa Branca enfrenta dificuldades.

Stephen Bannon, presidente-executivo do influente site Breitbart News, será o chefe-executivo da campanha, segundo um comunicado, enquanto uma das principais assessoras de Trump, Kellyanne Conway, pesquisadora republicana de longa data, será a diretora de equipe.

"Conheço Steve e Kellyane há muitos anos. São extremamente capazes, são pessoas altamente qualificadas que amam vencer e sabem como vencer", afirmou Trump em um comunicado.

"Acredito que estamos integrando alguns dos melhores talentos em política, com a experiência e o conhecimento necessários para derrotar Hillary Clinton em novembro e continuar compartilhando minha mensagem e visão para tornar os Estados Unidos grandes de novo", acrescentou.

"Núcleo de quatro"Bannon supervisionará os funcionários de campanha, operações e "a perspectiva estratégica das principais iniciativas", detalha a declaração.

Conway se concentrará na "comunicação", viajando regularmente com Trump, ao mesmo tempo em que trabalhará estreitamente com Bannon e o presidente da campanha, Paul Manafort.

A campanha também anunciou que as mudanças ocorrem em meio ao que classifica de crescimento significativo da candidatura de Trump, "com a contratação da primeira campanha importante na TV da eleição geral, que começará no fim desta semana, junto a importantes operadores que se integrarão ao movimento quase diariamente".

Conway negou que as mudanças na equipe constituam uma reestrutura.

"É uma expansão para um período muito intenso do fim da campanha", declarou o jornal The New York Times.

"Nós nos reunimos como o 'núcleo de quatro' hoje", disse ao jornal, referindo-se a ela, a Bannon, Manafort e ao assessor de Manafort, Rick Gates.

Em junho Trump demitiu seu então diretor de campanha, Corey Lewandowski, a quem era atribuído o êxito inical do magnata imobiliário nas primárias.

Mas rumo à convenção do Partido Republicano, Lewandowski se sentiu marginalizado por operadores políticos com mais experiência, como Manafort.

Lewandowski também atraiu críticas após um incidente com uma jornalista do Breitbart News, que o acusou de tê-la segurado pelo braço depois de ter feito uma pergunta mal recebida.

Caracteres cirílicosO presidente da campanha de Trump, Paul Manafort, que nos últimos dias foi alvo de críticas por suas ligações com o ex-presidente pró-russo da Ucrânia, Viktor Yanukovich, continuará no seu cargo.

Investigadores de um caso de corrupção na Ucrânia sustentam que Manafort recebeu há alguns anos um pagamento ilegal, não registrado, de 12,1 milhões de dólares em dinheiro, informou na segunda-feira o The New York Times.

O nome de Manafort aparece 22 vezes em 400 páginas escritas à mão em caracteres cirílicos em livros de contabilidade encontrados na sede central do partido de Yanukovich, afirma o Times.

Manafort emitiu um comunicado negando veementemente que tivesse agido mal. "A sugestão de que aceitei pagamentos em dinheiro não tem fundamento, é absurda e ridícula".

A candidata democrata à Casa Branca, Hillary Clinton, estimou, por sua vez, que as revelações do jornal eram preocupantes e exigiu que Trump esclarecesse as conexões de alguns de seus colaboradores diretos com o Kremlin.

"Donald Trump tem o dever de revelar os laços que existem entre seu diretor de campanha, Paul Manafort, e todos os funcionários de sua campanha com organismos russos ou pró-Kremlin", disse Clinton.

A 82 dias da eleição, a campanha de Trump é muito questionada, após uma série de erros que levaram inclusive membros de seu próprio partido a pedir que retirasse suas polêmicas declarações.

As críticas de Trump à família de um soldado de origem muçulmana morto no Iraque são encaradas por muitos analistas como um erro monumental e um ponto de viragem na árdua corrida pela presidência.

Segundo uma pesquisa da NBC News/Survey Monkey divulgada na terça-feira, Hillary tem uma vantagem de seis pontos sobre Trump, 43% contra 37%, com dois candidatos de partidos menores totalizando 15%.

Além disso, os investidores americanos acham que seria melhor se Trump vencesse Hillary, mas essa confiança tem diminuído, segundo aponta uma pesquisa da Bloomberg Politics/Morning Consul.

Segundo a enquete, 42% de eleitores que têm ativos na Bolsa acreditam que suas ações serão mais lucrativas se o republicano Trump conquistar a presidência dos Estados Unidos, e 40%, no entanto, acreditam que seus lucros serão maiores caso Hillary ganhe.

Apesar da pequena vantagem, a confiança em Trump diminuiu. Essa mesma pesquisa, que entrevistou 880 investidores que votam foi feita em junho, com 50% de confiança em Trump.

A nova pesquisa feita na semana passada, quando os índices de Wall Street começaram a escalar em níveis recordes. A pesquisa não diz porque a confiança em Trump caiu.

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