Questionado chefe da campanha de Donald Trump pede demissão

Washington, 20 Ago 2016 (AFP) - O chefe da campanha do candidato republicano à Casa Branca Donald Trump, Paul Manafort, pediu demissão nesta sexta-feira após se ver envolvido em uma investigação por corrupção na Ucrânia e ser excluído de uma mudança na equipe de campanha do magnata, que tem registrado quedas nas pesquisas.

"Nesta manhã, Paul Manafort ofereceu, e eu aceitei, sua renúncia da campanha", declarou Trump em um comunicado, no qual também expressou seu agradecimento pelo trabalho do ex-assessor.

Trump contratou Manafort - que assessorou o ex-presidente ucraniano e pró-russo Viktor Yanukovych - no início do ano para impedir o que parecia então uma disputada corrida pela indicação presidencial do Partido Republicano

Na quarta, o magnata já anunciara uma nova modificação de sua equipe, a segunda em dois meses.

Paul Manafort havia mantido seu título de diretor de campanha, mas foi colocado de lado com a nomeação de uma nova chefe de campanha, Kellyanne Conway, e de um diretor-geral de campanha, Steve Bannon.

O assessor havia sido encarregado de tentar transformar o magnata, que nunca ocupou qualquer cargo político na vida, em um candidato mais acessível aos eleitores.

Mas suas polêmicas mais recentes - especialmente seus confrontos com os pais de um militar muçulmano que morreu no Iraque - o afetaram duramente e fizeram com que caísse nas pesquisas.

Sua rival democrata Hillary Clinton lidera as pesquisas com uma média de 47,2%, contra 41,2% para Trump, segundo o site RealClearPolitics.com e aparece à frente em praticamente todos os estados-chaves.

Trump pede desculpasAs mudanças na equipe de campanha de Trump aconteceram dois dias depois que Manafort se viu envolvido em um escândalo de corrupção na Ucrânia.

Nesta sexta, as autoridades ucranianas publicaram documentos que detalham o suposto pagamento de vários milhões de dólares para o agora ex-diretor de campanha de Donald Trump no período em que trabalhava para os ex-líderes pró-russos da Ucrânia.

O escritório ucraniano de luta contra a corrupção revelou uma conta em nome de Paul Manafort como o destinatário de pagamentos, totalizando US$ 12,7 milhões entre 2007 e 2012, sem que tenha sido confirmado se ele mexeu no dinheiro.

O afastamento do assessor parece marcar uma virada na campanha do candidato republicano.

Donald Trump fez na quinta-feira uma confissão surpreendente e se declarou arrependido das palavras ofensivas que pronunciou durante a campanha eleitoral, ao assumir a postura de um candidato mais propenso à busca de consensos.

"Às vezes, no calor do debate e falando sobre uma grande variedade de temas, não escolhemos as palavras corretas e dizemos coisas equivocadas", afirmou Trump durante um ato em Charlotte, na Carolina do Norte.

"Isso aconteceu comigo e, acreditando ou não, eu lamento", disse, provocando aplausos entre a multidão. "Realmente lamento, e em especial quando causou dor às pessoas", acrescentou, garantindo aos seus seguidores que "sempre direi a verdade a vocês".

Esta declaração, que foi lida por ele, marca uma inflexão em seu estilo de campanha.

Seus críticos também o acusaram de incitar a violência contra sua rival democrata Hillary Clinton, mediante declarações ambíguas sobre o direito ao porte de armas.

Sem alterar as linhas gerais de seu discurso - muro na fronteira com o México, protecionismo comercial -, Trump se apresentou na quinta-feira como um agente da mudança, em contraposição a Hillary que, segundo ele, representa o establishment e favorece os ricos e poderosos.

Ao chamar novamente Hillary de "mentirosa", propôs reforçar as normas éticas do governo e combater o tráfico de influência.

Para demonstrar seu espírito aberto, o republicano detalhou seus projetos em educação para a comunidade negra, que se inclina em 90% pelos democratas, mas que sofre desproporcionalmente com a pobreza e a precariedade.

"Não descansarei até que as crianças deste país, não importa qual seja sua cor, formem totalmente parte do sonho americano", disse.

"Se os eleitores afro-americanos derem seu voto a Donald Trump, obterão um resultado incrível", acrescentou.

No campo democrata, esta postura mais tolerante de Trump era ironizada.

Enquanto isso, durante comício em Dimondale, Michigan (norte), Trump fez um apelo ao eleitorado negro, que majoritariamente votou em Clinton.

"Nenhum grupo nos Estados Unidos foi mais prejudicado pelas políticas de Hillary Clinton que os negros", disse nesta sexta-feira, evocando níveis de pobreza desproporcionais, desemprego e escolas falidas.

"O que têm a perder experimentando algo diferente como Trump? (...) Que diabos têm a perder?" - repetiu.

"As desculpas desta noite são simplesmente uma frase bem escrita até que nos diga qual de seus muitos comentários ofensivos e divisivos lamenta e até que mude o tom de suas palavras", disse Christina Reynolds, vice-diretora de comunicações da campanha de Hillary.

Por fim, Trump lançou, também nesta sexta, sua primeira propaganda eleitoral na TV.

"Nos Estados Unidos de Hillary Clinton, o sistema é manipulado contra os americanos", afirma o locutor, ao evocar a admissão de refugiados sírios e associando a delinquência aos imigrantes clandestinos que, além disso, receberiam benefícios sociais.

"Os Estados Unidos de Donald Trump são o da segurança. Os terroristas e os criminosos perigosos: fiquem de fora. Nossas famílias: a salvo", acrescenta a voz em off.

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