EUA reduzem assessores militares na coalizão árabe no Iêmen

Riade, 20 Ago 2016 (AFP) - Os Estados Unidos reduziram o número de assessores militares na coalizão árabe que intervém no Iêmen sob comando da Arábia Saudita, mas asseguram que isso não se deve à quantidade de civis mortos nos bombardeios.

O tenente Ian McConnaughey, porta-voz da V frota americana com sede no Bahrein, afirmou neste sábado à AFP que a redução se deve a uma baixa da demanda de assistência por parte dos sauditas.

A Arábia Saudita, que acusa o Irã de querer desestabilizar a região através dos rebeldes xiitas huthis no Iêmen, criou em março de 2015 uma coalizão militar árabe em apoio ao presidente Abd Rabo Mansur Hadi, expulso de Sanaa meses antes.

Riad é alvo de duras críticas dos defensores dos direitos humanos pelo elevado número de civis mortos nos bombardeios aéreos da coalizão no Iêmen.

O corte de assessores precede a visita da próxima semana à Arábia Saudita do secretário de Estado americano John Kerry, durante a qual será abordada a guerra no Iêmen.

Os Estados Unidos vêm pedindo a seu aliado saudita que exite as vítimas civis em suas operações militares contra os huthis, que controlam a capital do Iêmen, e boa parte do norte do país.

McConnaughey explicou que a redução de conselheiros americanos não afeta o apoio dos Estados Unidos aos sauditas.

Enquanto a coalizão assegura que evita ao máximo a morte de civis, várias ONGs, como a Médicos Sem Fronteiras, a acusam de "bombardeios indiscriminados".

Esta organização decidiu evacuar seu pessoa de seis hospitais do norte do Iêmen por um ataque aéreo que deixou 19 mortos e 24 feridos em um de seus centros de atendimento.

A coalizão abriu uma investigação para averiguar os fatos.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, declarou que "qualquer ataque a hospitais, pessoal médico ou civis é uma grave violação do direitos humanitário internacional".

O tenente McConnaughey afirmou que a marinha americana forneceu aos sauditas imagens que permitem avaliar melhor a situação no terreno.

Os bombardeios da coalizão árabe se intensificaram desde 9 de agosto, depois do fracasso das negociações de paz iniciadas há três meses no Kuwait com mediação da ONU.

Esta semana, a Organização Mundial da Saúde (OMS) atualizou o balanço das vítimas no conflito no Iêmen.

Entre 19 de março de 2015 e 15 de julho de 2016 morreram 6.571 pessoas e outras 32.856 ficaram feridas, entre elas muitos civis. Cerca de 80% da população precisa de ajuda humanitária, segundo a ONU.

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