Trabalhistas começam a eleger seu líder em um ambiente tenso

Londres, 22 Ago 2016 (AFP) - Entre Jeremy Corbyn e Owen Smith, os militantes do Partido Trabalhista têm um mês a partir desta segunda-feira para eleger seu líder, em um ambiente tenso, que faz perigar a própria existência do Labour, fundado em 1900.

Mergulhado numa profunda crise desde o referendo de 23 de junho sobre a permanência ou não do Reino Unido na União Europeia, o principal partido da oposição viveu um período turbulento de divisões, que fizeram a alegria dos conservadores no poder.

Com a abertura da votação por correio nesta segunda, os militantes têm até 21 de setembro para apaziguar a guerra de caciques.

O resultado será anunciado três dias depois, em um congresso extraordinário em Liverpool.

Jeremy Corbyn, eleito de forma triunfal à frente do Labour em setembro de 2015 com 59,5% dos votos, continua sendo o favorito a sua própria sucessão frente ao deputado galês Owen Smith, ex-jornalista da BBC.

O pacifista, com muita experiência na ala esquerda do partido, conta com o apoio dos sindicatos e da maioria dos militantes, cujo número disparou durante seu mandato, a ponto de superar meio milhão.

Mas continua tendo contra ele mais de três quartos dos 230 deputados do partido. No dia seguinte à aprovação do voto a favor do Brexit, 172 eleitos aprovaram uma moção de desconfiança em relação a seu líder, acusam por eles de ter defendido de maneira muito fraca a permanência do Reino Unido na União Europeia.

O prefeito de Londres, Sadiq Khan, pediu no domingo uma mudança de líder. "Jeremy demonstrou que é incapaz de ganhar a confiança e o respeito do povo britânico", declarou ao jornal The Observer.

A fratura entre Jeremy Corbyn e o aparelho do partido é de tal calibre que parece quase impossível de reparar.

Fundado em 1900 pelos sindicatos, o partido evoluiu até uma ideologia centrista entre 1997 e 2010 sob a direção do ex-primeiro-ministro Tony Blair, que ganhou três eleições consecutivas.

Desde que os conservadores voltaram ao poder, em 2010, o partido busca sua identidade, entre esta linha centrista e uma tendência mais à esquerda, impulsionada por Ed Miliband e depois por Jeremy Corbyn.

Por um lado, os parlamentares jamais acreditaram que a esquerda radical poderá ganhar as eleições. Por outro, há os militantes e os sindicatos que acham que Corbyn é o único capaz de realizar uma verdadeira política de esquerda e reconquistar milhões de eleitores desencantados no norte da Inglaterra, feudo tradicional do trabalhismo.

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