Políticas migratórias anunciadas por Trump geram êxodo na América Central

Tegucigalpa, 25 Ago 2016 (AFP) - O anúncio do candidato presidencial republicano, Donald Trump, de que aplicará duras políticas anti-migratórias e que construirá um muro na fronteira com o México, disparou nos últimos meses o êxodo a partir dos países do Triângulo Norte da América Central, afirmaram especialistas nesta quinta-feira.

A vice-chanceler de Honduras, María Andrea Matamoros, indicou que "foi observado um aumento na migração nos últimos meses e está muito claro que também se deve ao processo eleitoral que está ocorrendo nos Estados Unidos".

"Soubemos que a mensagem que o coiote dá (aos migrantes) é: 'agora ou nunca, se não chegar aos Estados Unidos neste momento, não poderá entrar porque construirão um muro'" na fronteira com o México, expressou a funcionária.

O candidato republicano à Casa Branca anunciou a construção deste muro assim que lançou sua campanha presidencial, há um ano.

Matamoros abordou o tema em um simpósio sobre a migração organizado pela chancelaria hondurenha e pela Organização Internacional para as Migrações (OIM).

O chefe da missão da OIM para El Salvador, Guatemala e Honduras, o costa-riquenho Jorge Peraza, declarou à AFP que há "mais e mais gente que argumenta (...) que recebe informação de certos lugares (que dizem) 'venha já porque não sabemos o que vai acontecer'" depois das eleições.

"Mas também há gente que afirma: 'não venha porque não é o momento oportuno porque pode ser que o próximo presidente, a próxima presidente estabeleça políticas anti-migratórias", acrescentou.

Desemprego e violênciaSegundo Peraza, a migração tem diversas causas porque às vezes uma mesma pessoa tem problemas de desemprego, necessidade de se reunir com a família nos Estados Unidos e sofre com a violência no local onde vive.

Ricardo Puerta, um sociólogo de origem cubana com mais de 30 anos de experiência no tema migratório, estimou que 90% dos hondurenhos emigram por falta de emprego e os outros 10% por violência, extorsões, sequestros e assassinatos das quadrilhas, e também pela reunificação familiar.

O pesquisador da Casa Alianza (não governamental) Jaime Flores manifestou que em seu trabalho recolheu testemunhos de que "muitos hondurenhos estão indo embora pela violência".

Ele afirmou, ainda, que uma mulher em Chamelecón, um bairro da cidade de San Pedro Sula, no norte do país, teve os três filhos assassinados, e o filho de 14 anos de outra mulher foi morto porque não quiseram entrar em uma gangue.

"Agora algumas meninas são agarradas à força para que sejam mulheres coletivas das quadrilhas ou do chefe da mara (gangue), caso contrário as matam ou matam algum membro de sua família", lamentou.

Puerta admitiu que a migração provocada pela violência cresce e o governo aproveita isso para buscar fundos externos que fortaleçam a polícia e os militares.

O especialista classificou de "balão inflado" a Aliança para a Prosperidade, um plano promovido pelos três países do Triângulo Norte com um fundo de 750 milhões fornecidos pelos Estados Unidos para projetos que propiciem o desenvolvimento para frear a migração.

O plano foi acordado em julho de 2014 pelos presidentes de Guatemala, Honduras e El Salvador com seu colega americano, Barack Obama, depois da "crise humanitária" vivida em 2014 com a migração em massa de crianças sem a companhia de adultos.

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