Deputados dos EUA pedem que governo atue contra escravidão sexual no Afeganistão

Washington, 1 Set 2016 (AFP) - Deputados dos Estados Unidos pressionam seu governo para que reforce sua luta contra a escravidão sexual no seio das forças armadas afegãs, segundo uma carta à qual a AFP teve acesso.

Os deputados pedem a criação de uma lei que proíba destinar ajuda americana a unidades militares estrangeiras que cometam estas violações dos direitos humanos.

Estas pressões surgem após um artigo da AFP divulgado em junho que revela como os talibãs aproveitam a prática tradicional do "bacha bazi" ("brincar com crianças" em dari, uma das duas línguas oficiais afegãs) para atacar as forças da polícia.

Segundo a polícia e as autoridades afegãs, os talibãs recrutam jovens pré-púberes vítimas desta prática para organizar ataques mortíferos no sul do país.

O deputado Duncan Hunter convocou o secretário de Defesa americano, Ashton Carter, a tomar "medidas imediatas para colocar fim ao estupro de crianças" no Afeganistão, onde vários milhares de militares americanos estão mobilizados em apoio às forças locais.

O departamento de Defesa respondeu a Hunter na semana passada em uma carta, à qual a AFP teve acesso, afirmando que se esforçaria para garantir que os culpados sejam punidos.

Segundo este documento, o general John Nicholson, comandante americano no Afeganistão, confirmou que estavam sendo aplicados uma série de slogans.

Eles preveem que "se militares americanos suspeitarem que membros (das forças de segurança afegã) violam os direitos humanos, incluindo abusos sexuais de crianças, devem alertar as (respectivas) autoridades afegãs".

Para Hunter, esta resposta, no entanto, está longe de corresponder à política oficial de tolerância zero.

"No mínimo, o governo americano teria que declarar, como política oficial, que não tolera estupros de crianças, em plena mobilização das tropas americanas, e impor exigências sobre a forma como fazem as acusações e as provas", declarou o parlamentar à AFP.

"Até agora, nada foi colocado em andamento, além de uma simples obrigação de informar os fatos", acrescentou.

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