Foguete da SpaceX explode em plataforma de lançamento na Flórida

Miami, 1 Set 2016 (AFP) - Um foguete Falcon 9 da SpaceX explodiu nesta quinta-feira na sua plataforma de lançamento na Flórida durante um teste de rotina, destruindo um satélite que o Facebook ia usar para prover internet a zonas rurais da África, informou a empresa espacial privada.

A explosão em Cabo Cañaveral, Flórida, no sudeste dos Estados Unidos, não deixou feridos, mas destruiu o foguete Falcon 9 e um satélite de comunicação Amos-6, da companhia israelense Spacecom.

O incidente é um grande contratempo para a SpaceX, a companhia californiana do magnata Elon Musk que pretende revolucionar a indústria aeroespacial reciclando os componentes dos foguetes.

"A perda do veículo Falcon (ocorreu) durante a operação de abastecimento de propelente. Se originou perto do tanque de oxigênio do estágio superior. A causa ainda é desconhecida", escreveu Musk no Twitter.

Um vídeo dramático da rede de televisão ABC News mostrou o foguete estourando em uma enorme bola de fogo, depois uma série de explosões e finalmente uma densa coluna de fumaça que cobriu o céu de Cabo Cañaveral com uma nuvem negra.

A SpaceX estava realizando testes para lançar no próximo sábado o satélite Amos-6 da Estação da Força Aérea de Cabo Cañaveral (CCAFS, em inglês), próxima ao Centro Espacial Kennedy, no centro da Flórida.

"Nas preparações para o (teste) de fogo estático de hoje, houve uma anomalia na plataforma que resultou na perda de seu veículo e sua carga", disse Phil Larson, porta-voz da SpaceX.

"A plataforma foi desalojada e não houve feridos", acrescentou.

A empresa confirmou que o acidente ocorreu às 09h07 locais (10h07 em Brasília) na plataforma de lançamento 40 durante um teste da missão Amos-6.

Contatados pela AFP, executivos da Spacecom não reagiram, até o momento, à perda do seu satélite.

Vizinhos contaram a meios de comunicação locais terem ouvido múltiplas explosões por vários minutos.

"Não há nenhuma ameaça para o público geral pelo catastrófico aborto da prova de fogo estático na plataforma de lançamento da SpaceX em Cabo Cañaveral", tuitou o gabinete de gestão de emergências do condado de Brevard.

ContratemposO diretor do Facebook, Mark Zuckerberg, se mostrou contrariado pela perda do satélite, que tinha sido contratado para fornecer cobertura de internet à África subsaariana e a outras regiões remotas do mundo como parte da iniciativa internet.org.

"Enquanto estou aqui na África, me sinto profundamente decepcionado de escutar que a falha no lançamento da SpaceX destruiu nosso satélite", escreveu Zuckerberg na sua página do Facebook.

O Amos-6 "ia prover conectividade a muitos empresários e a todas as pessoas ao longo do continente", acrescentou.

"Felizmente, nós desenvolvemos outras tecnologias como Aquila que também vão conectar as pessoas", disse Zuckerberg, referindo-se ao avião solar que o Facebook está desenvolvendo para disponibilizar internet em áreas remotas.

O incidente desta quinta-feira é um revés também para Elon Musk, que tenta recuperar a confiabilidade de sua companhia depois da explosão de um foguete Falcon em junho de 2015, dois minutos depois de decolar com uma cápsula Dragon, cuja carga se perdeu totalmente.

O Amos-6 ia ser a maior carga já transportada por um foguete da SpaceX. De acordo com John Logsdon, ex-diretor do instituto de política espacial da Universidade George Washington, o satélite tinha um valor estimado de entre 200 e 300 milhões de dólares.

O acidente - o segundo do tipo desde que a SpaceX foi fundada, em 2002 - provavelmente vai interromper os planos da empresa de realizar outros seis lançamentos até janeiro de 2017.

"É claramente um contratempo, mas o tamanho do contratempo e por quanto tempo as operações serão adiadas é impossível saber até que haja mais informações disponíveis", disse Logsdon.

A SpaceX está fazendo testes, alguns deles bem-sucedidos, para fazer seu foguete pousar após as missões no espaço. Poder reutilizar estes foguetes representa uma grande economia na indústria aeroespacial privada.

Desde que a Nasa aposentou sua frota de ônibus espaciais, depende de empresas privadas para transportar astronautas e carga à Estação Espacial Internacional.

Os dois grandes concorrentes da SpaceX são a americana United Launch Alliances, sócia da Lockheed Martin e da Boeing, e a francesa Arianespace, líder mundial em lançamento de satélites comerciais, que conta com cerca de 50% do mercado.

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