Um terço da humanidade vive em regiões com risco de propagação do zika

Paris, 2 Set 2016 (AFP) - Um terço da humanidade - 2,6 bilhões de pessoas - vive em regiões onde o vírus da zika poderia se propagar, principalmente em zonas da Índia e da China, mas também em vários outros países asiáticos e no sudeste da África, segundo um estudo que será publicado na sexta-feira.

Esta avaliação, publicada na revista médica britânica The Lancet Infectious Diseases, é a primeira do tipo a avaliar os riscos de transmissão desta doença viral, que afetou 1,5 milhão de pessoas no Brasil.

Os autores do estudo chegaram a estes números através de um modelo matemático que misturou variáveis como os visitantes de países da América Latina afetados pela epidemia, as condições climáticas, a densidade populacional e a eficácia dos sistemas sanitários.

O zika é transmitido principalmente pela picada de mosquitos, mas também por contato sexual.

A infecção, benigna para a maioria das pessoas, é considerada responsável por complicações neurológicas e sobretudo por graves anomalias no desenvolvimento cerebral (microcefalia) em bebês recém-nascidos de mães infectadas pelo vírus.

Foram registrados mais de 1.600 casos de microcefalia em bebês nascidos no Brasil recentemente.

"Cerca de 2,6 bilhões de pessoas vivem em regiões da África e da Ásia-Pacífico onde as espécies locais de mosquito e as condições climáticas tornam possível em teoria a propagação do vírus zika", revelou o principal autor do estudo, doutor Kamran Khan, acadêmico especialista em doenças infecciosas residente em Toronto.

Nesta quinta-feira, as autoridades americanas informaram que em Miami Beach há mosquitos que deram positivo para zika, o que confirma definitivamente que este vírus está sendo transmitido ativamente nos Estados Unidos continental.

Os países que poderiam ser afetados teoricamente são a Índia, onde 1,2 bilhão de pessoas poderiam ser expostas ao vírus, a China, onde há 242 milhões de pessoas que vivem em áreas de risco, a Indonésia, com 197 milhões, a Nigéria, com 178 milhões, o Paquistão, com 168 milhões, e Bangladesh, com 163 milhões.

O núcleo do estudo são possibilidades estatísticas, já que é difícil avaliar o número de pessoas que estiveram em contato com o zika no passado, seja com a vertente asiática ou com a africana.

"Apesar de que foram detectados casos esporádicos de zika nos dois continentes, a amplitude dos surtos passados continua sendo desconhecida", destacaram.

Um vírus que viajaNão existe vacina, tratamento nem exames de diagnóstico rápido para este vírus, que foi descoberto em 1947 em Uganda em um macaco. Desde então, a doença passou a se desenvolver em humanos em países da Ásia e da África.

A epidemia atual, que atingiu com força o Brasil e outros países da América Latina e do Caribe, pertence à família asiática do vírus, motivo pelo qual a questão da imunidade entre cepas é fundamental.

"Se a imunidade ao vírus zika está estendida, o zika introduzido decairia rápido", disse Derek Gatherer, acadêmico da Universidade de Lancaster, em um comentário sobre o estudo.

"À medida que a epidemia de zika se intensifica e se expande na América, centenas e possivelmente milhares de viajantes infectados estão agora transportando o vírus para regiões distantes do mundo", indicaram os pesquisadores.

Em comentários anexados ao estudo, os médicos Abraham Goorhuis e Martin P. Grobush, da Universidade de Amsterdam, afirmaram que existem poucas pesquisas sobre este tema.

"Os países africanos provavelmente apresentam muito mais riscos do que os países asiáticos, porque a origem da epidemia atual está na Ásia e não na África", disseram os especialistas.

Um dos países que está mais exposto, segundo o estudo, é Angola, pelos vínculos econômicos e culturais importantes com o Brasil.

O vírus também foi detectado em Cabo Verde e, mais recentemente, na Guiné-Bissau.

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