Fracasso de nomeação de Rajoy aumenta chance de novas eleições

Madri, 2 Set 2016 (AFP) - O Parlamento espanhol rejeitou nesta sexta-feira, em uma segunda votação, dar um voto de confiança ao conservador Mariano Rajoy para formar um novo governo, prolongando a paralisia política em que está mergulhada a Espanha há mais de oito meses.

Rajoy recebeu 170 votos a favor diante de 180 contra, repetindo-se o resultado da primeira votação da quarta-feira na Câmara Baixa de 350 deputados. Após este fracasso, os partidos têm dois meses para negociar a formação de um governo ou serão convocadas novas eleições, as terceiras em um ano.

Após dois meses de ter ganho as legislativas com 33%, o chefe de governo em fim de mandato não pôde evitar uma sessão de posse frustrada em que teve que suportar duras reprovações.

Rajoy foi respaldado por 137 deputados do PP, 32 dos Ciudadanos e um de um pequeno partido regional, menos do que a maioria necessária para obter sucesso.

Após esse fracasso, os partidos terão até o dia 31 de outubro para conseguir formar alianças de governo. Chegada a data, o Parlamento irá se dissolver automaticamente e serão convocadas novas eleições, que pelos prazos cairiam em 25 de dezembro, Natal.

Rajoy ainda pode voltar a tentar ser candidato, mas Pedro Sánchez - chefe dos socialistas - também poderia fazê-lo. Atualmente com 85 deputados, eles são a segunda força no Parlamento.

Na sessão desta sexta-feira, Rajoy e Sánchez trocaram fortes críticas.

"Se você persistir em sua política de 'não, não e não', permita pelo menos que se forme um novo governo na Espanha", disse Rajoy a Sánchez.

"Você decepcionou a confiança dos espanhóis", alfinetou Sánchez, acusando-o de ter instaurado durante o governo do PP "uma política que usou a crise para desmantelar o Estado de bem-estar" no país, e relembrou inúmeros casos de corrupção acumulados pelo partido conservador.

Rajoy advertiu os efeitos negativos que possa ter na economia pela demora na paralisação política, em um país com desemprego de 20%, o segundo mais alto da zona do euro. "O governo tem custos. Será uma fatura alta. E teremos que pagar por tudo isso", afirmou.

Apesar do fracasso, Rajoy continuará "tentando negociar para evitar terceiras eleições", garantiu o palácio do governo em sua conta no Twitter.

Em Madri, os espanhóis não escondiam seu cansaço pela paralisação no país, que já dura mais de oito meses, e com um governo com funções muito limitadas.

"Já basta, é uma situação muito desagradável. Fazemos papel ridículo no mundo", assinalou Luis García Montero, com 53 anos, funcionário de banco, que em junho passado votou no Ciudadanos.

A paralisação política na Espanha começou em dezembro, quando nas urnas os espanhóis acabaram com o bipartidarismo do PP e PSOE que imperou durante décadas, mas elegeram um Parlamento muito fragmentado, entre esses dois partidos tradicionais e os novatos Podemos e Ciudadanos. As eleições de junho confirmaram essa correlação de forças.

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