Mogherini descarta criação de exército comum europeu em futuro próximo

Bratislava, 2 Set 2016 (AFP) - A União Europeia não terá um exército comum em um futuro próximo, mas o bloco deveria se preparar para assumir um papel maior em segurança e defesa, disse nesta sexta-feira a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini.

"Estamos de acordo em que o exército europeu é algo que não acontecerá logo", disse Mogherini em coletiva de imprensa, ao final de uma reunião em Bratislava dos ministros das Relações Exteriores da UE.

"Mas pode acontecer muito em breve se os Estados-membros se comprometerem a avançar no campo da defesa europeia", explicou. "Isto é o que coloquei sobre a mesa hoje".

Os países da UE, com o Reino Unido à frente, se mostraram reticentes no passado a ceder sua soberania em termos de defesa, mas os acontecimentos dos últimos anos representaram um impulso para uma política de segurança comum.

A UE faz frente há anos a várias crises, desde os ataques extremistas em solo europeu à gestão da crise migratória, passando pela vontade do Reino Unido de deixar o bloco.

No final de agosto, chefes de Estado de países do leste europeu, como Hungria ou República Checa, pediram para que fosse criado um exército conjunto. "Devemos priorizar a segurança e isto começa pela construção de um exército comum europeu", resumiu na ocasião o premiê húngaro, o ultradireitista Viktor Orban.

Perguntada sobre a criação de forças armadas conjuntas, Mogherini respondeu que "em 50, 60 ou 100 anos, quem sabe?".

Os ministros das Relações Exteriores iniciaram também em Bratislava o debate sobre o desenvolvimento da "Estratégia Global" para a ação externa da UE, cujos primeiros resultados poderiam ser vistos antes da primavera de 2017, segundo a encarregada europeia de Relações Exteriores.

"O importante é que todos os ministros apreciaram o projeto", destacou Mogherini em alusão ao documento de 32 páginas que busca criar uma sólida indústria europeia de defesa e lutar contra o terrorismo, entre outros aspectos.

O chefe da diplomacia britânica, Boris Johnson, disse em sua chegada à capital eslovaca que o Reino Unido, uma potência militar e nuclear importante, cooperaria com a UE em matéria de defesa, quando deixar o bloco.

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