Trump tenta atrair voto de eleitores negros em Detroit

Washington, 3 Set 2016 (AFP) - A tarefa não é das mais fáceis. Atrás de Hillary Clinton nas pesquisas a menos de 70 dias da eleição presidencial, Donald Trump se lança no sábado em Detroit à procura de apoio entre a comunidade negra, amplamente favorável à candidata democrata.

Ciente da necessidade de ampliar com urgência sua base eleitoral se deseja suceder Barack Obama, o candidato republicano à Casa Branca procura agora atrair um setor da população ao que nunca se dedicou antes, mas que representa 12% do eleitorado.

O argumento de Trump é que os candidatos do Partido Democrata falam em nome da comunidade negra há décadas, mas as estatísticas mostram que o desemprego e a pobreza afeta esse grupo mais do que os outros.

Os democratas, disse Trump em um ato em Ohio no final de agosto, "não têm interesse em vocês. Eles vêm uma vez a cada quatro anos, tiram suas fotos e depois dizem adeus".

Para sustentar esse argumento, Trump lembra a atitude dos democratas sobre a imigração, afirmando que seus adversários preferem "dar um posto de trabalho a um refugiado antes do que a um jovem negro desempregado".

O eleitorado negro americano é, tradicionalmente, mais próximo aos democratas.

Nas eleições de 2012, 93% dessa comunidade votou em Barack Obama, de acordo com pesquisas de boca de urna.

Clinton também exibe um alto índice de apoio entre esse eleitorado: estima-se que na primária disputada contra o senador Bernie Sanders ela recebeu 90% dos votos da comunidade negra.

Ainda não está claro o que exatamente Trump planeja fazer em Detroit.

Depois de gravar um entrevista, ele deve participar de um culto em uma igreja negra, dirigindo-se brevemente à congregação "Ministério Internacional da Grande Fé", antes de participar de um encontro com moradores de um bairro negro.

Como acontece muitas vezes com Trump, tudo vai depender de se o magnata vai se ater ao roteiro cuidadosamente preparado ou se vai preferir improvisar, aumentando a possibilidade de um discurso controverso.

Apoios racistasNa quinta-feira, o jornal The New York Times publicou trechos de um documento de trabalho de oito páginas que mostra o 'roteiro' de uma entrevista, com as perguntas a serem feitas pelo pastor da igreja, o bispo Wayne T. Jackson, e as respostas elaboradas pela assessores de Trump.

As respostas apresentam um tom claramente presidencial, com o republicano se comprometendo a "servir todos os americanos, independentemente de raça, etnia ou qualquer outra qualificação".

Ao ser questionado sobre este documento, o pastor Jackson admitiu que tinha enviado suas perguntas, mas disse que estas ainda estavam sujeitas a mudanças, negando veementemente que ele estaria trabalhando conjuntamente com a equipe de Trump.

"Ele fez declarações e disse que quer melhorar a situação da comunidade negra. Então queremos conhecer as respostas. Queremos saber como ele fará isso", disse Jackson à rede de televisão CNN.

De acordo com o pastor, "há um percepção generalizada de que há muitos racistas apoiando a sua campanha. Essas são perguntas que iremos fazer. E depois de que tudo tenha sido dito, deixemos as pessoas decidirem".

Os democratas lembram regularmente aos eleitores que os apoiadores de Trump incluem o ex-líder da Ku Klux Klan David Duke - embora o candidato tenha rejeitado publicamente o apoio da extrema-direita.

Eles também apontam que Trump liderou uma campanha de baixo nível que questionava - com o apoio da ala de direita do Partido Republicano - a nacionalidade de Obama, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos.

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