Rajoy continua buscando dirigir Espanha, apesar de nomeação frustrada

Madri, 3 Set 2016 (AFP) - Os conservadores espanhóis cerraram fileiras neste sábado em torno de seu líder, Mariano Rajoy, que continuará tentando ser nomeado presidente do Governo depois de fracassar nesta semana, enquanto os socialistas mantêm a incerteza sobre uma possível alternativa.

Na noite de sexta-feira, Rajoy, líder do Partido Popular (PP), fracassou pela segunda vez em quarenta e oito horas em sua tentativa de ser investido presidente do Governo, cargo que desempenha de forma interina desde dezembro.

O chefe conservador recebeu em ambas as ocasiões na Câmara Baixa o mesmo resultado: 170 apoios, insuficiente diante dos 180 votos contrários dos socialistas, da esquerda anti-austeridade Podemos e dos partidos nacionalistas bascos e catalães.

Em meio a este bloqueio, uma iniciativa que desagradou aos demais partidos foi a decisão do governo interino do PP de propor para um cargo de direção do Banco Mundial seu ex-ministro da Indústria José Manuel Soria, que renunciou em abril depois de ter sido citado no escândalo dos Panama Papers.

Por isso, os socialistas e o Podemos pediram neste sábado o comparecimento urgente no Parlamento do ministro da Economia, Luis de Guindos, para que dê explicações.

Apesar de tudo, o PP defenderá nas próximas semanas seu "direito a governar e a voltar a tentar" com Rajoy, afirmou neste sábado a secretária geral do partido, María Dolores de Cospedal, após uma reunião do grupo em Madri.

Cospedal também deixou claro que o PP não planeja substituir Rajoy e promover outra figura para resolver a situação. Segundo ela, na reunião houve um "clima de unidade, de força e de ânimo com o presidente do nosso partido e nosso candidato".

A mensagem estava dirigida ao partido centrista Ciudadanos, que apoiou a investidura de Rajoy após assinar um acordo com 150 medidas.

Diante do esperado fracasso da segunda votação, seu líder, Albert Rivera, convidou o PP a apresentar um candidato "com uma investidura viável". Inclusive alguns socialistas deram a entender que, sem Rajoy no comando, considerado um símbolo de anos de corrupção dentro de seu partido, poderiam deixar o PP governar.

Os partidos espanhóis temem que o país passe por novas eleições em dezembro se o bloqueio político persistir.

Segundo os prazos legais, elas cairiam em 25 de dezembro, e seriam as terceiras em um ano, depois das realizadas em dezembro de 2015 e em julho, ambas vencidas pelo PP, embora sem maioria absoluta.

O ex-presidente do governo socialista José Luis Rodríguez Zapatero (2004-2011) fez a partir de Valencia (leste) um apelo ao entendimento, afirmando que "pactar não é trair" e advertindo que terceiras eleições representariam uma batalha contra a abstenção.

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