Aiatolá Khamenei critica a Arábia Saudita antes da peregrinação a Meca

Teerã, 5 Set 2016 (AFP) - O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, fez duras críticas à Arábia Saudita, rival regional de Teerã, poucos dias antes da grande peregrinação a Meca, da qual os iranianos não poderão participar este ano.

"O mundo muçulmano, os governos e a população devem conhecer os dirigentes sauditas e sua natureza irreverente, não crente e dependente (...)", afirma a principal autoridade iraniana em uma mensagem divulgada antes do Hajj, que começa na próxima semana.

Khamenei estimula os muçulmanos a "refletir seriamente sobre a gestão dos locais sagrados" situados na Arábia Saudita, incluindo os dois mais importantes do islã, Meca e Medina.

"Se isto não acontecer, o mundo muçulmano enfrentará problemas maiores", adverte Khamenei.

O líder iraniano, que tem a última palavra nos grandes temas de política interna e externa do país, já denunciou no passado o controle de Riad sobre os locais sagrados.

Os novos ataques ilustram a persistência das tensões entre as duas grandes potências rivais regionais, o Irã xiita e a Arábia Saudita sunita, que tentam ampliar sua influência no Oriente Médio.

A mensagem do aiatolá foi divulgada antes da peregrinação a Meca, da qual os iranianos não poderão participar em 2016. No ano passado, 60.000 peregrinos iranianos compareceram ao evento.

A decisão foi tomada após uma grande confusão que deixou 2.300 mortos, incluindo 464 iranianos, de acordo com balanços de governos estrangeiros, no ano passado na região de Meca.

Os dois países não conseguiram chegar a um acordo para o envio de peregrinos iranianos à Meca. Teerã acusa Riad de impor "obstáculos".

"Os dirigentes sauditas que bloquearam o caminho do Hajj (peregrinação) são vergonhosos extraviados que baseiam seu poder (...) na aliança com o sionismo e com os Estados Unidos, e não renunciam a nenhuma traição", denunciou Khamenei.

Esta é a primeira vez em quase três décadas que os iranianos são impedidos de entrar na Arábia Saudita para o Hajj.

A Arábia Saudita rompeu relações com o Irã após o ataque de sua embaixada em Teerã em janeiro por manifestantes que protestavam contra a execução do xeque Nimr, uma figura da oposição xiita contrária ao regime saudita sunita.

Riad também rompeu as relações comerciais e os voos para o Irã.

Em sua mensagem, o aiatolá Khamenei critica de forma mais geral a política da Arábia Saudita em toda a região e denuncia os "dirigentes que formam e armam grupos tafkiris e rebeldes, e afundam o mundo muçulmano em guerras internas que provocam fogo e sangue no Iêmen, Iraque, Sham (Síria), Líbia e outros países" da região.

O termo tafkiri designa os membros de grupos jihadistas que lutam na Síria, Iraque ou outras partes do mundo muçulmano, em especial o Estado Islâmico (EI) e a Al-Qaeda.

As relações entre Irã e Arábia Saudita se tornaram ainda mais tensas nos últimos anos, já que os dois países se enfrentam em vários temas regionais, em especial Síria, Iêmen, Iraque e Bahrein.

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