Uruguai anuncia reunião Vázquez-Temer após tensão diplomática

Montevidéu, 5 Set 2016 (AFP) - O chanceler do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa, anunciou nesta segunda-feira uma reunião do presidente Tabaré Vázquez com seu colega brasileiro, Michel Temer, em função da Assembleia Geral da ONU em Nova York.

"Efetivamente, vai haver uma reunião entre os presidentes Temer e Vázquez" durante a Assembleia Geral das Nações Unidas que acontecerá este mês nos Estados Unidos, informou o ministro depois de uma reunião de gabinete, em declarações reproduzidas pelas rádios locais.

O anúncio acontece depois da emissão por parte de Vázquez de um polêmico comunicado após o impeachment da presidente Dilma Rousseff na semana passada, e a posse de seu vice Michel Temer como presidente até 2018.

"O governo do Uruguai considera uma profunda injustiça a destituição de Rousseff", assinalou a chancelaria em um comunicado emitido na quinta-feira, no qual não cita o novo presidente brasileiro.

O comunicado cita ainda a "legalidade evocada" da destituição de Dilma do poder no julgamento político realizado na quarta-feira passada no Senado brasileiro.

Nin Novoa participou na semana passada de uma comissão parlamentar bicameral na qual, segundo informaram fontes participantes no encontro à AFP, expressou que seu país reconhece o governo de Michel Temer como legítimo, e nesta segunda fez questão de reiterar esta posição, depois de duras críticas da oposição ao teor do comunicado.

"O Uruguai reconhece o governo Temer", enfatizou Nin Novoa, afirmando que "o processo (de julgamento político) foi um processo legal (...), mas o resultado do processo foi injusto", voltou a insistir.

O texto do comunicado e a postura ante o ocorrido no Brasil provocaram divisões dentro da Frente Ampla, esquerda, no poder, que tem setores ligados ao PT brasileiro e que classificaram de "golpe de Estado parlamentar" o processo de destituição de Dilma Rousseff.

O Uruguai passou por momentos de conflito nas últimas semanas com o Brasil, seu segundo sócio comercial depois da China, e sócio no Mercosul, justamente pela transferência da presidência do bloco comercial para a Venezuela.

Montevidéu concluiu seus seis meses frente ao grupo, deu por concluída sua gestão e, sem ato de transferência, a Venezuela assumiu a representação rotativa do Mercosul, que o Paraguai, Brasil e Argentina não reconheceram.

Desde então, a Venezuela convoca reuniões de coordenação nas quais participam apenas o Uruguai, e a Argentina, Brasil e Paraguai se reúnem em encontros nos quais também estão presentes representantes do Uruguai.

Neste sentido, Nin Novoa diz que o Uruguai tem o "objetivo de salvar o Mercosul", e que o governo Temer, o argentino Mauricio Macri e o paraguaio Horacio Cartes "estão na mesma sintonia" em termos de acordos de livre comércio, enquanto que a "Venezuela está por decisão própria fora destas negociações", entre outros, com a União Europeia.

O Mercosul exibe uma profunda fratura e desde que acabou a presidência uruguaia, no fim de julho, não houve reuniões com os cinco sócios presentes.

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