Suspeito dos atentados de Paris fica em silêncio diante de juiz

Paris, 8 Set 2016 (AFP) - O único sobrevivente do grupo que cometeu os atentados de 13 de novembro de 2015 em Paris, Salah Abdeslam, "exerceu seu direito ao silêncio" diante do juiz nesta quinta-feira, afirmou o advogado Frank Berton.

"Pela terceira vez exerceu seu direito ao silêncio durante o interrogatório, que durou quase uma hora e meia", disse o advogado francês.

Desde que foi transferido da Bélgica para a França em 27 de abril, o suspeito chave dos atentados de Paris, que deixaram 130 mortos, permanece calado. Em julho, Abdeslam se recusou inclusive a ser retirado da cela da prisão de Fleury-Mérogis, ao sul de Paris, para o interrogatório.

"Este direito pertence a ele, é incontestável", explicou o advogado.

"Temos a esperança de que um dia Salah Abdeslam responda as perguntas do juiz, mas não é para hoje".

De acordo com o advogado, o juiz de instrução certamente convocará outra audiência.

A Promotoria de Paris confirmou à AFP que Salah Abdeslam permaneceu em silêncio após as perguntas do magistrado.

Frank Berton disse mais uma vez que a vigilância de vídeo permanente a que está submetido o detento explica "evidentemente" seu mutismo.

Para evitar qualquer tentativa de fuga ou suicídio, Abdeslam, que se encontra em regime de isolamento, é filmado por duas câmeras em sua cela e por outras quando se exercita no ginásio ou durante as caminhadas.

No final de julho, o Conselho de Estado, principal tribunal administrativo da França, considerou que o dispositivo não era desproporcional pelo "caráter excepcional dos atos terroristas" pelos quais Abdeslam foi acusado.

O papel exato de Abdeslam durante os atentados não foi determinado, mas ele foi acusado de ter acompanhado os três homens-bomba que detonaram explosivos perto do Stade de France, ao norte da capital.

Ligado ao belga Abdelhamid Abaaoud, suposto cérebro dos ataques, aparentemente também teve um papel logístico e alugou veículos e apartamentos que serviram de esconderijo na área metropolitana de Paris. Os investigadores também suspeitam que ele ajudou no deslocamento de extremistas pela Europa.

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