Coreia do Norte teria detonado bomba atômica por ocasião de festa nacional

Seul, 9 Set 2016 (AFP) - A Coreia do Norte "muito possivelmente" detonou nesta sexta-feira, por ocasião de sua festa nacional, sua quinta bomba atômica, informaram autoridades sul-coreanas e americanas, baseadas em um forte tremor no polígono de tiro de Pyunggye-ri.

"Existe uma alta possibilidade de que foi uma explosão nuclear, diante da localização e da magnitude do tremor" disse um funcionário do governo sul-coreano citado pela agencia de notícias Yonhap.

O Instituto Geológico dos Estados Unidos (USGS) confirmou que um tremor de 5,3 graus de magnitude abalou a região de Pyunggye-ri, onde a Coreia do Norte realiza suas provas atômicas, por volta de 00H30 GMT de sexta-feira (21H30 Brasília de quinta).

"Trata-se de fato de uma explosão" e ocorreu na superfície, "mas não podemos determinar de que tipo é", declarou o USGS. "Foi situada na zona onde a Coreia do Norte realizou testes nucleares no passado".

O chefe de gabinete do governo japonês, Yoshihide Suga, declarou que seu país também "acredita que o terremoto seja o resultado de um teste nuclear norte-coreano".

Segundo a rede de televisão NHK, o ministério da Defesa enviará um avião para sobrevoar o espaço aéreo internacional próximo à Coreia do Norte para detectar indícios de radiação.

O ministro japonês das Relações Exteriores, Fumio Kishida, declarou que se confirmada a detonação nuclear apresentará um "enérgico protesto" e recorrerá ao Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O teste, que coincide com o aniversário da criação da República Popular e da instauração do regime comunista, em 1948, seria o "mais potente" já realizado pela Coreia do Norte.

"A explosão parece ter tido a potência de 10 quilotons, a mais forte já realizada pelo norte até o momento", declarou um alto oficial.

O terceiro teste nuclear norte-coreano, em fevereiro de 2013, teve uma potência de entre 6 e 9 quilotons.

A Coreia do Norte já havia realizado quatro testes com bombas nucleares, o último em janeiro, como parte de um programa armamentista que inclui ainda o desenvolvimento de mísseis balísticos de longo alcance e é alvo de sanções da ONU.

Esta semana, o líder norte-coreano, Kim Jong-Un, convocou as forças armadas a seguir adiante com o desenvolvimento de seu arsenal nuclear, segundo a agência oficial KCNA.

Kim "destacou a necessidade de se prosseguir com estas realizações milagrosas, reforçando o potencial nuclear, passo a passo, neste ano histórico", ressaltou a KCNA.

Resoluções da ONU proíbem à Coreia do Norte de utilizar qualquer tecnologia nuclear e de mísseis balísticos, apesar de Pyongyang ter realizado quase 20 tiros de teste apenas este ano.

No dia 24 de agosto, Pyongyang lançou um míssil balístico de um submarino (SBLM) que percorreu cerca de 500 km em direção ao Japão, o que para os especialistas é um claro progresso no programa norte-coreano.

Uma verdadeira capacidade SLBM elevaria a ameaça nuclear norte-coreana, com Pyongyang ampliando seu poder de dissuasão além da península coreana.

A Coreia do Norte também anunciou ter conseguido reduzir suas bombas nucleares, tecnologia indispensável para montar as ogivas nos mísseis balísticos.

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