Museu do 11/9 recorda o 15º aniversário dos atentados

Nova York, 9 Set 2016 (AFP) - O museu dos atentados de 11 de setembro em Nova York lembra o 15º aniversário daquele dia trágico com uma exibição de arte.

Na mostra "Rendering the Unthinkable" ("Representando o Impensável"), que será inaugurada no dia 12 de setembro, reconhecidos artistas locais irão expor treze obras, entre pinturas, vídeos e uma escultura. Todos têm em comum o fato de ter vivido os atentados; um deles perdeu inclusive um irmão bombeiro, cujo corpo nunca foi encontrado.

Mas os visitantes da nova exposição não terão que reviver o horror enfrentando quadros sórdidos ou representações dolorosas.

A arte fez seu trabalho nas recordações, aliviando a dor e domando a história, que agora forma parte do DNA de Nova York.

Ejay Weiss utilizou cinzas do Marco Zero para incorporá-las a quatro pinturas com acrílico, que sublimam o caos sob manchas de céu azul, como o que cobria os nova-iorquinos na manhã em que as torres gêmeas desabaram, levando 2.753 vidas.

Poucos dias depois do 11 de setembro de 2001, Manju Shandler começou a pintar peças de 10x22 cm para representar cada uma das vítimas dos ataques.

"A princípio não se sabia nem quantas eram", lembra. Pintou cerca de 3.000, 850 das quais foram reunidas em um imenso quadro para esta exposição. Algumas destas pequenas obras incorporam diretamente fotos das vítimas. Outras são mais estilizadas: mostram um homem com o cabelo em chamas, uma silhueta, uma cobra...

"Não há uma correlação direta com cada uma das vítimas", explica. Levou três anos para terminar seu projeto. "Foi uma forma de superar a dor, era catártico", afirma, acrescentando que se sente muito honrada de ser parte da exposição. "A arte traz um sentimento de empatia, não fala com a mesma parte do cérebro".

- "Contraponto" - Christopher Saucedo tinha dois irmãos bombeiros e um deles desapareceu para sempre nos destroços das torres destruídas. Escultor, trabalhava com aço e outros metais. Mas depois do 11 de setembro não conseguiu seguir usando os mesmos materiais das estruturas derrubadas do World Trade Center.

Cobriu com linho branco retângulos feitos de papel machê de cor azul e ali nasceram formas etéreas, nas quais as torres gêmeas parecem flutuar.

Na exposição também é apresentado um vídeo do grupo Blue Man Group, inspirado nas folhas de papel, cartas e outros documentos que depois dos ataques voaram até seu pátio no Brooklyn.

Também será exibida uma estátua de bronze de uma mulher no chão com a mão estendida: uma homenagem aos mortos e aos sobreviventes.

Esta janela para observar a arte que surgiu do 11 de setembro foi concebida como um "contraponto" com o resto do museu, disse sua diretora, Alice Greenwald.

Assim como o museu, histórico e didático, conta a história daquele dia e dos que sobreviveram e morreram ali, "Rendering the Unthinkable" é uma mostra "íntima e limitada".

"É um espaço contemplativo", disse à AFP durante uma visita organizada para a imprensa.

A exposição oferece "outra maneira de lembrar os acontecimentos de 15 anos atrás" e as emoções vividas.

Desde sua abertura, em maio de 2014, o museu do 11 de setembro, construído no local dos ataques, no sul de Manhattan, recebeu 7 milhões de visitantes, segundo seu presidente, Joe Daniels.

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