Críticas a Netanyahu após acusar palestinos de quererem 'limpeza étnica'

Jerusalém, 10 Set 2016 (AFP) - O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, enfrentou críticas, neste sábado, um dia depois de publicar um vídeo em que chamava de "limpeza étnica" a negativa dos palestinos de incluir os judeus em seu futuro Estado.

Nesse vídeo, rejeitou a ideia de que as colônias israelenses sejam um "obstáculo para a paz" e evocou a "diversidade de Israel", que se manifesta no fato de que "em torno de dois milhões de árabes" vivem lá, reflexo de sua "abertura para a paz".

"Porém, os dirigentes palestinos demandam um Estado com uma condição prévia: nada de judeus. Isso se chama limpeza étnica", assegurou Netanyahu, que segundo os especialistas, está à frente do governo mais à direita da história de Israel.

Cerca de 400.000 israelenses vivem em colônias da Cisjordânia - território palestino ocupado por Israel desde 1967 -, considerados pela comunidade internacional como ilegais e o primeiro obstáculo para a paz.

O Departamento de Estado americano qualificou, na sexta-feira, a intervenção do chefe de governo israelense como "inútil" e "inapropriada".

"Evidentemente, estamos em desacordo com o fato de qualificar quem se opõe à construção de colônias ou as consideram um obstáculo para a paz como partidários da limpeza étnica de judeus na Cisjordânia", afirmou a porta-voz Elizabeth Trudeau.

Em Israel, Tzipi Livni, dirigente da União Sionista, o principal partido de oposição, acusou Netanyahu neste sábado de "tentar obter benefícios políticos criando problemas diplomáticos".

Segundo esta ex-chefe da diplomacia israelense, o vídeo fará com que Washington seja ainda mais hostil à colonização na Cisjordânia ocupada.

Para Ayman Odeh, o chefe do grupo que reúne os principais partidos árabes-israelenses no Parlamento, Benjamin Netanyahu cria "uma realidade imaginária".

"São as colônias que foram precisamente criadas para expulsar cruelmente a população palestina da Cisjordânia", escreveu no Facebook.

Os esforços de paz israelense-palestina estão estagnados desde 2014, mas o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e Netanyahu afirmaram na terça-feira que estavam de acordo com o início de um encontro destinado a relançar as negociações.

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