Americanos recordam aniversário de 15 anos dos ataques de 11/9

Nova York, 11 Set 2016 (AFP) - Os americanos recordaram neste domingo (11) o 15º aniversário dos atentados terroristas de 11 de Setembro, com cerimônias sóbrias e carregadas de emoção em homenagem às vítimas dos mais violentos ataques no território dos Estados Unidos, os quais mudaram o mundo para sempre.

Quase 3.000 pessoas morreram em 11 de setembro de 2001, quando 19 homens da rede Al-Qaeda sequestraram quatro aviões de passageiros e lançaram as aeronaves contra as Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York, contra o Pentágono, em Washington, e contra um campo de Shanksville, no estado da Pensilvânia.

Foram os primeiros ataques estrangeiros contra o território continental dos Estados Unidos em quase dois séculos, que terminaram por motivar as invasões do Afeganistão (2001) e do Iraque (2003), lideradas por Washington, e onde a guerra continua provocando estragos mais de uma década depois.

O aniversário dos atentados acontece em meio a uma dura batalha eleitoral pela Casa Branca, entre a democrata Hillary Clinton e o republicano Donald Trump.

Quinze anos depois, os efeitos dos ataques ainda perduram nos conflitos que devastam Líbia, Síria e vários países do Oriente Médio, que viraram áreas de recrutamento para grupos ligados à Al-Qaeda, ao mesmo tempo em que aumentaram os ataques inspirados pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI).

'Diversidade' e 'força'O presidente Barack Obama, que respeitou um minuto de silêncio no Salão Oval da Casa Branca, acompanhou a cerimônia no Pentágono, onde pediu aos americanos que abracem a diversidade dos Estados Unidos e não permitam que o terrorismo divida o país.

Organizações extremistas como a Al-Qaeda, ou o grupo Estado Islâmico, "sabem que nunca poderão vencer uma nação tão grande e forte como os Estados Unidos", disse Obama.

"Então, eles tentam nos aterrorizar, com a esperança de que possam criar tanto medo que nos viremos uns contra os outros", declarou.

"E é por isso que é tão importante reafirmar hoje nosso caráter como nação (...) Nossa diversidade, nossa herança multicultural, não é uma fraqueza. Ainda é e sempre será uma de nossas grandes forças", completou o presidente.

"Esta é a América que foi atacada naquela manhã de setembro. Esta é a América, à qual devemos permanecer leais", convocou Obama.

Em uma referência indireta às polêmicas propostas do candidato republicano à Presidência dos EUA, Donald Trump, Obama recordou que os americanos são "pessoas procedentes de todos os cantos do mundo, de todas as cores, de todas as religiões e experiências".

O presidente criticou, em várias oportunidades, a retórica do candidato republicano à Casa Branca.

Após o ataque de San Bernardino, na Califórnia, em dezembro do ano passado, Trump propôs a proibição temporária da entrada de muçulmanos no território americano.

Desde os atentados de 11/9, "a ameaça evoluiu", admitiu Obama.

"Com nossas defesas reforçadas, os terroristas tentam com frequência realizar ataques em menor, mas ainda mortal, escala", explicou, referindo-se aos atentados de Boston, San Bernardino, ou Orlando.

O governo americano sustenta que o país está mais bem protegido contra um ataque da envergadura do 11 de Setembro, mas os "lobos solitários" radicalizados personificam uma nova ameaça.

"Nosso governo se tornou muito bom em detectar planos tramados do exterior", disse o secretário de Segurança Interna, Jeh Johnson, à rede Fox News.

"O que é um desafio, porém, são os ataques estilo lobo solitário, os atores autorradicalizados. As organizações terroristas têm a capacidade de chegar ao nosso território pela Internet, pelo recrutamento e pela inspiração de ataques".

Ainda assim, o diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), John Brennan, considerou que a ameaça terrorista diminuiu, em comparação a 2001. Segundo ele, isso inclui o EI, que está em decadência.

"Agora é uma organização falida", afirmou, em entrevista ao canal CBS, referindo-se ao EI.

Hillary passa malDonald Trump e Hillary Clinton suspenderam as campanhas para acompanhar a cerimônia em Nova York.

A candidata democrata, 68 anos, abandonou o ato mais cedo, depois de sofrer um mal-estar, informou sua equipe de campanha.

"Durante a cerimônia, ela passou mal com o calor e seguiu para o apartamento de sua filha (Chelsea). Já está se sentindo muito melhor", informou sua equipe, em um comunicado.

"A secretária Clinton compareceu à cerimônia de recordação do 11 de Setembro por apenas uma hora e 30 minutos esta manhã para prestar seu respeito e condolências às famílias das vítimas", completa a nota.

Horas depois, ela tuitou: "nunca nos esqueceremos o horror do 11 de setembro de 2001. Hoje, honremos as vidas e o extraordinário espírito das vítimas".

Já seu oponente nas urnas, Donald Trump, falou em "um dia de tristeza e recordação", mas também "um dia de determinação".

É "dever solene do país" - afirmou o republicano em um comunicado - "trabalhar unido como uma nação para manter nosso povo a salvo de qualquer inimigo que busque destruir nosso modo de vida".

Como acontece todos os anos, os parentes das vítimas, muito emocionados, leram os nomes de cada um dos mortos no "Marco Zero", em Nova York, o local onde ficavam as Torres Gêmeas do WTC. Agora, a área abriga um museu e um memorial, e está em construção a Freedom Tower (Torre da Liberdade).

A cerimônia foi marcada por seis momentos de silêncio para recordar o impacto dos aviões contra as torres, a queda de cada uma delas, o choque do terceiro avião contra o Pentágono e a queda da quarta aeronave na Pensilvânia.

O primeiro minuto de silêncio aconteceu às 8h46 (9h46 de Brasília), momento em que o primeiro avião sequestrado atingiu a Torre Norte do World Trade Center.

Naquele dia fatídico, 2.753 pessoas morreram em Nova York, 184 no Pentágono e 40 na Pensilvânia.

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