Sírios detidos na Alemanha tinham ligação com terroristas de Paris

Berlim, 13 Set 2016 (AFP) - Três homens com documentos sírios, acusados de ter vínculos com o grupo Estado Islâmico (EI), foram detidos na Alemanha, onde chegaram através da mesma rede que os autores dos atentados de novembro em Paris, anunciaram as autoridades nesta terça-feira.

O ministro do Interior, Thomas de Maizière, informou que os três homens chegaram à Europa, provavelmente a partir da Síria, com a ajuda da "mesma organização de traficantes (de pessoas) que os criminosos de Paris". Além disso, seus documentos de viagem foram confeccionados no mesmo local, segundo a imprensa em Berlim.

"Até o momento não há nenhuma indicação de que existia um planejamento concreto em andamento visando um atentado. Portanto, pode se tratar de uma célula adormecida", indicou o ministro.

Vários dos terroristas de Paris e Saint-Denis (norte da capital), que deixaram 130 mortos nos atentados de 13 de novembro de 2015, chegaram à Europa a partir de zonas controladas pelo EI, em particular um dos cérebros dos ataques, Abdelhamid Abaaoud, um belga-marroquino de 28 anos, e outros dois homens com falsos passaportes sírios, apresentados como iraquianos pelo próprio grupo extremista.

- 'Nenhum risco' -Segundo o ministro alemão, os três homens estavam sendo vigiados há meses e em nenhum momento "representaram perigo". Não pôde dizer com certeza se os suspeitos eram realmente sírios, mas destacou que em seus "documentos de viagem está escrito que são".

Todos foram detidos em centros de acolhida de solicitantes de asilo. A operação, que mobilizou 200 agentes da polícia, ocorreu no norte da Alemanha, segundo o Ministério Público federal.

Foram apresentados como Mahir Al H., de 27 anos, Mohamed A., de 26, e Ibrahim M., de 18, e chegaram à Alemanha em novembro de 2015, no auge da crise migratória, durante a qual um milhão de solicitantes de asilo entraram no país.

"Os três acusados são suspeitos de ter viajado à Alemanha por ordem da organização Estado Islâmico, seja para executar uma missão ou estar preparados para receber instruções", segundo um comunicado do Ministério Público, que decidiu processá-los por pertencimento a uma "organização terrorista estrangeira".

Mahir Al H. é suspeito de ter se envolvido com o EI em setembro de 2015 e de ter recebido uma curta formação no manejo de armas em Raqa, o reduto do grupo no norte da Síria.

No mês seguinte, seus dois supostos cúmplices se dirigiram à Europa, através de Turquia e Grécia, por ordem de um responsável do EI encarregado "dos atentados fora do território do Estado Islâmico".

"Nenhuma missão ou instrução precisa foi até agora constatada pelos investigadores", segundo o Ministério Público.

- Merkel em dificuldades -A Alemanha sofreu em julho dois atentados - um com arma branca, o outro com explosivos - reivindicados pelo EI e cometidos por migrantes. Embora não tenham deixado mortos, significaram um forte choque para todo o país e contribuíram para alimentar o descontentamento de uma parte da opinião pública com a política de acolhimento generosa da chanceler Angela Merkel em relação aos solicitantes de asilo.

As autoridades alemãs convocaram em várias ocasiões a não confundir migrantes com terroristas, embora reconheçam que militantes de organizações extremistas possam ter se infiltrado entre os refugiados, como foi o caso dos terroristas de Paris.

A chanceler é acusada pela direita populista, em plena ascensão há meses, de ter colocado a Alemanha em risco ao abrir suas portas aos refugiados em setembro de 2015.

Desde então sua popularidade caiu e seu partido, a CDU, registrou resultados eleitorais ruins a um ano das legislativas de 2017.

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