Trégua da 'última oportunidade' é respeitada na Síria

Alepo, Síria, 13 Set 2016 (AFP) - A trégua na Síria, considerada como a da "última oportunidade" para colocar fim a uma guerra que já deixou mais de 300.000 mortos, era respeitada nesta terça-feira, oferecendo aos habitantes de várias cidades sua primeira noite de tranquilidade em meses.

As armas deixaram de ser ouvidas depois que a trégua entrou em vigor na segunda-feira às 19h00 locais (13h00 de Brasília), após um acordo entre Rússia e Estados Unidos, que apoiam, respectivamente, o regime e os rebeldes, em uma nova tentativa de colocar fim a mais de cinco anos de uma guerra.

O exército russo afirmou nesta terça-feira que as forças do regime respeitarão o cessar-fogo, mas acusou os rebeldes de terem disparado "em 23 ocasiões contra bairros residenciais e as posições das forças governamentais".

A televisão oficial síria informou sobre pequenas violações causadas por disparos de foguetes dos rebeldes que não deixaram vítimas.

A ONU declarou, no entanto, que esperava garantias de segurança para seus comboios antes de lançar operações humanitárias.

Para poder enviar ajuda aos bairros rebeldes sitiados de Aleppo, militares russos instalaram um ponto de observação móvel na rota do Castello, um eixo de acesso vital ao norte da segunda cidade síria, que une a região com a fronteira turca, de onde esta ajuda é proveniente, segundo as agências de notícias russas.

Mas Damasco anunciou que negará a entrada de ajuda da Turquia aos bairros rebeldes de Aleppo se não for coordenada com o governo de Bashar al-Assad e com a ONU.

- Crianças voltam a brincar -A guerra civil no país, que já dura mais de cinco anos, deixou, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) mais de 300.000 mortos, 87.000 dos quais eram civis, assim como milhões de deslocados.

O secretário de Estado americano, John Kerry, que negociou o acordo com seu colega russo, Serguei Lavrov, considerou que a trégua pode "ser a última oportunidade de salvar" a Síria.

Em diversas localidades e cidades, em particular as controladas pelos rebeldes, na mira dos incessantes bombardeios da aviação do regime, a população demonstrou alívio.

Tanto no leste quanto no oeste da cidade, os habitantes permaneceram nas ruas na segunda-feira até a meia-noite, aproveitando o cessar-fogo para celebrar o Eid al-Adha, a festa muçulmana do sacrifício.

As crianças voltaram nesta terça-feira a subir nos balanços sem medo de que suas brincadeiras terminassem em tragédia. Outras, maiores, jogavam futebol sob uma ponte destruída.

Mas, ao contrário do que ocorria antes da guerra, este Eid não foi acompanhado de uma festa, já que grande parte das prateleiras do mercado estavam vazias.

"Ouvimos dizer na televisão que ocorreriam entregas de ajuda", indicou Mohammad, do bairro rebelde de Kallaseh. "Mas 20 horas após (a entrada em vigor do acordo) não recebemos nada", disse, decepcionado.

Na parte governamental de Aleppo, perto da linha de demarcação, Habib Badr elogiava a tranquilidade.

"Minha casa está próxima do hospital Ramzi e costumo ouvir as sirenes das ambulâncias a cada duas ou três horas. Mas hoje, nada", afirmou.

O regime congelou suas operações militares "no território" até 18 de setembro às 21h00 GMT (18h00 de Brasília).

- Cooperação inédita -Ainda que a oposição e os rebeldes, debilitados, não tenham dado seu acordo formal à trégua e tenham pedido "garantias" do aliado americano, parecem respeitar em terra o cessar-fogo.

Isso não impede que o ceticismo prevaleça sobre o êxito desta nova trégua.

Assim como na trégua anterior, no fim de fevereiro, que durou duas semanas, os grupos extremistas Estado Islâmico e Frente Fateh al-Sham (ex-Frente al-Nosra, braço sírio da Al-Qaeda), que controlam amplos setores do país, estão excluídos.

Se for respeitada durante uma semana, esta suspensão das hostilidades pode levar a uma inédita colaboração entre Moscou e Washington contra os dois grupos extremistas.

No entanto, um funcionário do Pentágono ressaltou que isso não implicaria automaticamente o princípio da cooperação, ao término deste prazo. "Os prazos são curtos e a desconfiança é grande", afirmou.

Moscou e Washington pretendem favorecer a retomada das negociações entre o regime e os rebeldes para colocar fim a ao conflito que criou uma crise humanitária que atingiu a Europa e permitiu que o grupo Estado Islâmico se reforce em meio ao caos.

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