Moradores de áreas sitiadas na Síria esperam pela ajuda prometida

Alepo, Síria, 15 Set 2016 (AFP) - As regiões sitiadas na Síria esperavam nesta quarta-feira com impaciência os prometidos comboios de ajuda humanitária, que seguem bloqueados, apesar de uma significativa redução da violência após a trégua de 48 horas negociada pelas grandes potências.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, informou que mantém conversações com os Estados Unidos e a Rússia para que pressionem todas as partes visando garantir a segurança dos comboios de ajuda da ONU para a cidade de Aleppo.

Segundo Ban, 20 caminhões carregados com alimentos e outros produtos básicos estão na fronteira entre Turquia e Síria aguardando a liberação do trajeto para Aleppo.

A ONU está "completamente pronta" para enviar, a partir desta quarta-feira, 20 caminhões com ajuda a Aleppo, mas a situação em matéria de segurança ainda não permite isto.

"É absolutamente essencial" que os beligerantes "façam os necessários acertos de segurança" para que os caminhões possam avançar.

Ban destacou que conta com a Rússia, por um lado, para exercer pressão sobre o governo sírio, e com os Estados Unidos, por outro, para convencer a oposição armada.

Um responsável do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), no entanto, descartou a possibilidade de que a ajuda pudesse ser distribuída ainda nesta quarta-feira.

"Com base no que ouvimos em terra, é muito pouco provável que ocorra hoje", disse à AFP David Swanson, porta-voz da OCHA em Gaziantep, Turquia.

"O desafio para nós é garantir que todas as partes mantenham a mesma posição", disse, pedindo maior segurança.

Swanson confirmou que 20 caminhões com rações de alimentos para 40.000 pessoas aguardavam na fronteira turca. "Quando nos derem autorização, poderemos nos movimentar".

"A ajuda não será entregue apenas em Aleppo (onde mais de 250.000 pessoas não recebem ajuda das Nações Unidas desde julho). A ONU na Síria quer levar ajuda a outras zonas cercadas ou de difícil acesso", afirmou.

O ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Marc Ayrault, avaliou que a ajuda humanitária será um "teste-chave" da solidez do acordo russo-americano sobre a Síria.

"O teste é a chegada da ajuda humanitária. Isso vai ser determinante, em particular em Aleppo (...) Caso contrário, o anúncio de um cessar-fogo não será crível".

Para poder enviar ajuda a Aleppo, militares russos instalaram um ponto de observação móvel na rota do Castello, um eixo de acesso vital ao norte da segunda cidade síria que une a região com a fronteira turca, de onde esta ajuda é proveniente, segundo as agências de notícias russas.

Na falta de ajuda, a cidade ao menos viveu sua segunda noite de calma consecutiva.

- Rússia quer prorrogar trégua -A Rússia anunciou nesta quarta que é favorável a uma prorrogação por 48 horas do cessar-fogo em todo o território sírio, declarou em um encontro com a imprensa o general Viktor Poznijir, integrante do Estado-Maior russo, acrescentando que os rebeldes sírios violaram a trégua em 60 ocasiões até a manhã desta quarta-feira.

Poznijir acrescentou que a aviação russa bombardeou na terça-feira à noite combatentes extremistas da organização Estado Islâmico (EI) no norte de Palmira, nos primeiros ataques reivindicados pela Rússia desde o início desta trégua, da qual estão excluídos o EI e a frente Fateh al-Sham (ex-Frente al-Nosra, braço sírio da Al-Qaeda).

Desde a entrada em vigor da suspensão das hostilidades, na noite de segunda-feira, os combates praticamente cessaram entre o regime e os rebeldes em todos os fronts de batalha, com exceção de tiros esporádicos, segundo ativistas, o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) e a ONU.

A trégua foi alcançada após semanas de discussões entre Washington e Moscou, que apoiam respectivamente a rebelião e o regime. O objetivo é favorecer a retomada das negociações entre o regime e os rebeldes para colocar fim ao conflito que desde março de 2011 deixou mais de 300.000 mortos, entre eles mais de 87.000 civis, além de milhões de deslocados, segundo um novo balanço do OSDH.

- 'Nenhum civil morto' -O OSDH disse que, apesar de algum disparo esporádico, nenhum civil morreu na província de Aleppo desde o início da trégua.

A suspensão das hostilidades é aplicada de forma efetiva. "Se continuar assim, será um desenvolvimento muito positivo que economizaria mortes, violência e êxodo", declarou Rami Abdel Rahman, diretor do Observatório.

A trégua foi apresentada como a da "última oportunidade" pelo secretário de Estado americano, John Kerry, que negociou o acordo com seu colega russo, Serguei Lavrov.

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