Ban a Netanyahu: rejeitar colônias não é apoiar 'limpeza étnica'

Nações Unidas, Estados Unidos, 16 Set 2016 (AFP) - O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, criticou nesta quinta-feira o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, classificando de "indignantes" seus comentários sobre a rejeição dos assentamentos judeus equivaler a apoiar uma "limpeza étnica".

Netanyahu acusou os palestinos de buscarem um Estado "sem judeus" e declarou em um vídeo divulgado na semana passada que isso poderia ser descrito como "limpeza étnica".

"Me perturba um recente comentário do primeiro-ministro israelense no qual ele afirma que aqueles que se opõem à expansão dos assentamentos apoiam a limpeza étnica", disse Ban em uma reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre o conflito israelense-palestino.

"Isto é inaceitável e indignante", afirmou.

Ban criticou a política de Israel de construir habitações em zonas destinadas a fazer parte de um Estado palestino e pediu para pôr fim ao domínio de Israel sobre estes territórios.

"Deixem-me ser absolutamente claro: os assentamentos são ilegais sob o direito internacional. A ocupação, sufocante e opressiva, deve terminar", afirmou o chefe da ONU.

Mais de meio milhão de israelenses colonizaram territórios palestinos sob uma política que Ban chamou de "diametralmente oposta à criação de um Estado palestino".

Contudo, o secretário-geral não fez referência a algumas informações citadas na imprensa israelense segundo as quais o ministro da Defesa do país, Avigdor Lieberman, ordenou boicotar o enviado especial da ONU para o Oriente Médio, Nickolay Mladenov, devido a suas críticas às ações israelense nos territórios ocupados.

O chanceler neozelandês, Murray McCully, que presidia a sessão do Conselho de Segurança nesta quinta-feira, considerou que a decisão de Lieberman era "muito contraproducente" e que Mladenov "faz o trabalho que se espera dele".

O embaixador israelense na ONU, Danny Danon, reagiu às críticas de Ban considerando que tem uma "visão deformada da situação".

"A incitação ao terrorismo por parte dos palestinos" e a rejeição de Mahmud Abbas, o presidente da Autoridade Palestina, a reunir-se com Netanyahu, são "o obstáculo para a paz", segundo Danon.

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