Banco Mundial: países em desenvolvimento abrigam 65 milhões de deslocados

Washington, 15 Set 2016 (AFP) - As pessoas deslocadas se transformaram em um desafio importante para os países em desenvolvimento, que abrigam 95% daqueles que fogem de uma dezena conflitos armados, quase os mesmos de há 25 anos - diz um relatório do Banco Mundial publicado nesta quinta-feira (15).

A presença dessas pessoas "afeta as perspectivas de desenvolvimento das comunidades que os recebem" e "alimenta as reações de xenofobia até mesmo nos países ricos", escreveu o autor do relatório, Xavier Devictor.

O Banco pede às agências de desenvolvimento que deem vantagens, como empréstimos e doações, aos países de acolhida.

Cerca de 65 milhões de pessoas no mundo vivem "em deslocamento forçado", o que significa 1% da população mundial. Entre elas, há 24 milhões de refugiados e demandantes de asilo que atravessam fronteiras e 41 milhões de pessoas que foram deslocadas dentro de seu próprio país.

Nos últimos 25 anos, são os mesmos conflitos que provocam a fuga da população: Afeganistão, Iraque, Síria, Burundi, República Democrática do Congo, Somália, Sudão, Colômbia, região do Cáucaso e a antiga Iugoslávia.

A Síria é o único país em que sua população deslocada supera os 25%.

O relatório ressalta que, em geral, o auge do movimento desses habitantes é atingido depois de quatro anos do início do conflito.

Somente um quarto dos deslocados (27%) volta à região que abandonou. Uma grande quantidade vai engrossar as regiões urbanas, como Cabul, Afeganistão; Juba, no Sudão do Sul; Luanda, em Angola; ou Monróvia, na Libéria.

Entre os 15 países que recebem a maioria dos refugiados estão Turquia, Líbano e Jordânia, vizinhos da Síria, com 27% dos refugiados. Paquistão e Irã, vizinhos do Afeganistão, recebem 16%. Finalmente, Etiópia e Quênia, vizinhos da Somália e do Sudão do Sul, acolhem 7%.

Entre os países com deslocamento interno da população, estão Colômbia, Iraque, Nigéria e a República Democrática do Congo.

Alguns dos países ricos da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) "abriram suas portas, mas a maioria é reativa a assumir responsabilidades internacionais em uma escala significativa", escreveu o autor do relatório.

O Banco Mundial propõe políticas de ajuda que permitam aos refugiados e deslocados trabalhar, ganhar uma renda e desenvolver habilidades. Segundo o organismo, a ajuda humanitária que chegou a US$ 22 milhões em 2015 é insuficiente.

Nos países ricos, os programas de integração obtiveram resultados lentos e moderados. Nos Estados Unidos, por exemplo, demora mais de dez anos para que um refugiado consiga trabalhar, enquanto na União Europeia esse tempo é de mais de 15 anos.

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